O coração da motivadora energia deste artigo não o vamos encontrar, segundo a minha reflexão, nem no âmbito doutrinário que envolve o Sagrado, Deus e Jesus Cristo, nem nas estruturas bio psíquicas. Vamos, essa é toda a minha intenção, tratá-lo no campo natural dos ajustamentos e da precisão racional da sua terminologia, recomendada pela transcendentalidade do nosso ôntico ser.
D. Jorge Ortiga, digníssimo Arcebispo Primaz, afirmou durante a sua homilia no dia de Todos os Santos: “A felicidade está nos ensinamentos de Cristo, que convida os cristãos para a possuírem, para investirem em esforço e dor. Aquilo que Jesus Cristo ensina é uma felicidade realista, é uma felicidade cujo caminho é governado pelas virtudes de sobriedade, humildade e compaixão, que têm, como horizonte, a eternidade. Somos felizes, quando dóceis em Espírito, quando temos um coração puro, misericordioso, e quando nos reconhecemos filhos de Deus”.
Relativamente às verídicas e empolgantes afirmações de D. Jorge Ortiga, vou afirmar, com base nos critérios de uma natural congruência, que a felicidade, conectada com o transcendente, tem todo o seu radical princípio no nosso ôntico ser, semelhante ao divino, cuja substância é constituída pela sua corporalidade espiritualizada, relacional, una, eterna, simples, transcendental, autónoma, livre. A sua autonomia exclui e supera toda a vergonha da depravadora dependência das dominadoras circunstâncias e dos condicionalismos, de todas as existências que vão beber as suas motivações e interesses na adoração das riquezas, do poder, das supremacias, dos prazeres, dos domínios. Aqui está a razão da autonomia da pessoa se tornar objeto.
A felicidade, compreendo-a como a vivência afetiva e real das nossas experiências. E as experiências compreendo-as como relações dos nossos inter-relacionamentos sociais, através dos imperativos de bem, emanados, naturalmente, do nosso ôntico ser, o apaixonado por Deus e por Jesus Cristo e espelhado na prática dos Evangelhos.
Também o distinto colaborador do “Diário do Minho” Dr. Artur Gonçalves Fernandes, na “Recuperação dos verdadeiros valores humanos” de 2/11/17, refere o respeito pela dignidade humana, vendo nela um valor que excede, pelos técnicos, a apreciação das estimadas pedras preciosas. O Dr. Artur Fernandes afirma que “o homem não se sabe construir a si próprio de acordo com a sua natureza. Os homens esquecem-se que são seres racionais e semelhantes a Deus. Não têm atitudes consentâneas com a sua natureza. Todos somos alunos da verdadeira vida humana, quer pessoal quer social. O homem sensato é coerente com a sua natureza.”
A propósito da natureza humana, dou comigo a pensar que esta pode ser avaliada em vários e diferentes níveis, cada um com a sua especificidade: o nível existencial, avaliado nos seus fatores bio psíquicos (corpo e alma) com as suas aberturas para os ídolos; o nível transcendental, ôntico, uno, relacional, com a sua abertura para o transcendente. Embora concordando com o distinto colaborador, sou da opinião que temos primeiro que definir, com clareza e distinção, a natureza humana, para depois referir se as suas atitudes estão de acordo com essa natureza.
Autor: Benjamim Araújo
Reflexões
DM
21 fevereiro 2018