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Racismo vs fair play

Surpreendentemente o SC Braga foi punido esta semana, pelo Conselho de Disciplina da FPF, com um jogo à porta fechada, alegadamente por alguns adeptos bracarenses terem proferido insultos racistas a um jogador do Desportivo das Aves, em jogo referente à 3.ª jornada da Liga profissional disputado no passado mês de agosto. Digo surpreendentemente porque nenhuma comunicação social referiu qualquer facto anómalo nem ter havido queixa por parte do clube adversário. Daí António Salvador ter vindo a público considerar que este castigo é uma afronta ao clube que dirige bem como não pretender ser cobaia para outros clubes. Já ouvi vários comentários a este propósito em que alguns afirmam que o SC Braga está a incomodar os ditos três grandes e pode intrometer-se na luta desenfreada que estes clubes vão protagonizando. Sabemos que na próxima época um deles vai ficar fora da Champions e se ainda aparece outro outsider a meter-se nessa luta não sei o que acontecerá. Não quero acreditar que isso seja um argumento para punir o nosso clube com um jogo à porta fechada pois seria a descredibilização total do nosso futebol. Tem sido difícil fazer aceitar que existe racismo em Portugal, mas quanto a mim tem sido bem mais grave, não a violência existente nos campos de futebol, mas fora deles, nomeadamente a que assistimos todos os dias nos programas televisivos dos diferentes canais, protagonizados por dirigentes de comunicação desses clubes como por pessoas que representam esses clubes, algumas delas com responsabilidades na vida social e profissional. Vemos também os clubes e seus dirigentes a desculpabilizar, por vezes, os seus adeptos e a atirar as culpas para a estrutura desportiva ou mesmo para a própria sociedade! Ainda recente a UEFA, na luta contra o racismo, veio chamar a atenção do SC Braga sobre este assunto, mas tomando uma medida pedagógica, com o encerramento de uma bancada com cerca de mil lugares e mandando colocar uma faixa chamando a atenção para a equidade dos direitos das diferentes raças ou cores. É necessário que haja uma profunda reflexão de todos sobre esta matéria e ao seu combate por parte de toda a sociedade! Por isso talvez fosse melhor promover o “Fair Play” e o que realmente significa a palavra “Fair Play”? O “Fair Play” não é nada mais do que um jogo limpo, que respeita as regras e os seus valores associados. Sem “Fair Play” o desporto perde esse poder!.. O crescimento do nível de vida e o aumento do tempo livre levam a uma participação crescente no desporto de competição, e como consequência natural das coisas, isto ameaça o “Fair Play”, visto que a procura da vitória a qualquer preço, leva a que se esquecem os valores do desporto. Sem “Fair Play” o desporto não é desporto! Em primeiro lugar compete ao praticante transmitir esse testemunho. Cabe-lhe a ele a aceitação serena, correta e pacífica, de uma situação difícil ou adversa. Aceitação, sem discussão das decisões do árbitro, vontade de jogar para ganhar, objetivo primordial e essencial, relegando para segundo plano a ideia da vitória a qualquer preço. O “Fair Play” é uma forma onde está implícita a honestidade, lealdade, atitude e o respeito mútuo. Respeito por companheiros e adversários e árbitros, consciente do cumprimento da sua missão. E se tal acontecer teremos um melhor desporto e muito mais saudável!..
Autor: Luís Covas
DM

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1 dezembro 2017