S. Bento, muito venerado na nossa Arquidiocese com o cognome da Porta Aberta, ao escrever a Regra para os seus filhos espirituais, no início do século V, é o Pai de várias famílias religiosas que seguem aquela Regra. Genericamente são os beneditinos.
No início o seu hábito era escuro, talvez negro. Algumas famílias beneditinas mantiveram o mesmo hábito (uma túnica de tecido preto, com um cinto de couro, um escapulário com capuz, igualmente de cor preta e em algumas cerimónias usavam e usam um amplo manto com mangas bastante largas, é a cogula). No século XI, com a grande reforma do estilo e forma de viver a Regra de S. Bento, nascem os cistercienses que, em sinal de pobreza, passaram a usar o mesmo hábito mas de cor branca, da cor da lã sem tintura para significar mais pobreza com um escapulário preto (há excepções). Os primeiros começaram a ser chamados de “monges negros”, como está representado S. Bento da Porta Aberta e como usam, entre outros, os nossos monges do Mosteiro de Singeverga. Os segundos começaram a ser designados por “monges brancos”, como S. Bernardo de Claraval e como podemos ver as monjas de Cister que habitam junto à nossa Basílica de S. Bento da Porta Aberta. Todos, porém, são “filhos espirituais” de S. Bento e seguem a mesma Regra, apesar de terem modos diferentes de a viver.
Na actualidade, os “monges negros” são mais conhecidos por beneditinos (com várias famílias, por exemplo os Valombrosanos fundados por S. João Gualberto), os Camaldulos, os Olivetanos, e mais recentemente os Beneditinos da Imaculada (2008) enquanto que os “monges brancos” Chamam-se assim pois usam um hábito branco) são apelidados de cistercienses ou bernardos (com duas grandes famílias – da “comum observância” e os da “estricta observância”.
Não se podem ignorar as famílias beneditinas de monges-guerreiros, os cavaleiros cristãos que ajudaram a formar Portugal: Os cavaleiros templários que depois, em Portugal, deram origem, em tempo de D. Dinis, aos cavaleiros de Cristo e, também os Cavaleiros da Ordem de S. Bento de Avis (a primeira edição impressa da Regra de S. Bento, em português deve-se a estes cavaleiros). Estes monges – cavaleiros também seguiam a Regra de S. Bento. Mais recentemente (1945) surge em França um outra Ordem cavaleiresca, fundada por um Monge beneditino, Dom Gérard Lafond, que teve a sua primeira sede canónica na Catedral de Chartres e hoje está implantada em mais de 10 países de 4 continentes, é a Militia Sanctae Mariae – cavaleiros de Nossa Senhora e se pode definir como mariana, beneditino-bernardiana e cavaleiresca.
É interessante referir que cada mosteiro tem um grupo (s) de leigos, homens e mulheres que, no mundo vivem a Regra de S. Bento adaptada ao seu modo de vida, casados, solteiros ou viúvos.
Ultimamente têm-se editado vários livros com leituras não monacais da Regra de S. Bento. Dou o exemplo de um belíssimo livro editado pela Irmandade de S. Bento da Porta Aberta, de que é autor Dom Massimo Lapponi, monge beneditino do mosteiro de St.a Maria de Farfa e que conhece edições em várias línguas, dedicado à vida das famílias seguindo a Santa Regra – “A vida Familiar e a Regra de S. Bento”.
S. Bento, Pai e Padroeiro da Europa nunca perde actualidade. A sua Regra mantém o frescor do século VI.
Autor: Carlos Aguiar Gomes