Na contínua (re)aprendizagem que estamos a fazer, todos temos um calendário com projectos que gostávamos de cumprir e actividades que aspiramos realizar.
Acontece que prever, projectar e programar são actos que se tornaram sumamente temerários.
O mais frequente tem sido alterar, diferir ou simplesmente suspender.
Quem, no início de 2020, lobrigava o labirinto em que se tornou o resto do ano?
E muito do que se foi apontando para o presente ano também não tem garantias seguras de execução.
A alma do povo está ungida de sabedoria quando repete que «o futuro a Deus pertence».
A Ele, de facto, pertence o futuro, como pertence o passado e o presente.
É para Ele que temos de nos voltar. É (sempre) por Ele que nos devemos deixar conduzir.
Eis, pois, aquela que desponta como a atitude certa para estes tempos incertos.
A esta hora, não sabemos se vamos conseguir executar aquilo a que nos propomos.
É possível que, por algum tempo, continuemos sobressaltados de confinamento em confinamento.
Mas sabemos que Deus nos acompanha, seja onde for. E sempre com infindáveis correntes de amor.
Não estamos, porém, impedidos de incorporar o padrão dos Magos: procurar Jesus (cf. Mt, 2, 1), encontrar Jesus (cf. Mt 2, 9), adorar Jesus (cf. Mt 2, 11), oferecermo-nos a Jesus (cf. Mt 2, 11) e alterar os nossos caminhos com Jesus (cf. Mt 2, 12).
Talvez tenha sido o que mais tem faltado. É urgente que passe a ser o que mais seja implementado.
Daí que precisemos de «luz para conhecer a vontade [de Deus] e coragem para a cumprir fielmente». É o que pedimos na Liturgia da primeira semana do Tempo Comum,
Pedimos também ao Senhor que nos dê «a graça de O servir com uma vida santa». Assumamos então este pedido. E procuremos dar-lhe sempre pleno cumprimento.
Deus revelado em Jesus Cristo «desegoíza-nos», levando-nos aos que mais precisam e sofrem.
Enquanto os discípulos aconselham o despedimento da multidão faminta (cf. Mc 6, 36), Jesus enche-Se de compaixão (cf. Mc 6, 34), instando os Seus seguidores a dar de comer àquela gente (cf. Mc 6, 37).
Ele mesmo, abençoa, multiplica e manda distribuir o pão e o peixe pelas pessoas (cf. Mc 6, 41).
Na hora em que chegam as vacinas anti-COVID, não desperdicemos a «vacina Cristo», sulcando-a na mente e no coração, pela escuta e pela dádiva!
Autor: Pe. João António Pinheiro Teixeira