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QSI-QATAR/PSG e o dinheiro nem sempre vence

O Qatar é por estes dias um destino cada vez mais conhecido, dado que em poucas semanas será palco para a realização do Campeonato do Mundo de 2022, em futebol. No entanto, tem sido apontado, por várias organizações internacionais, de se esconder atrás de grandes investimentos no futebol (como é o paradigmático caso do PSG) das suas práticas contra os direitos humanos. A corroborar esta tese, é de louvar a iniciativa anunciada, no início da semana, pela Dinamarca, através da sua Federação, foi por esta determinada a atribuição de um valor por cada golo marcado, durante o corrente mês, desde os escalões amadores até ao campeonato principal, para ajudar os trabalhadores migrantes tratados desumanamente nas obras para esse mesmo mundial 2022. O Qatar é um país com uma riqueza incalculável, quase em exclusivo proveniente do petróleo, contudo, não é uma democracia, a família real é o governo e são eles que gerem a seu bel-prazer o dinheiro que supostamente deveria ser (também) do povo. E logo por aí, por estarmos perante uma não democracia, me pergunto: como é possível que um campeonato do mundo se realize ali? Dada a premissa acima apontada, de estarmos a falar de um país que é gerido por uma família real, podemos então considerar que o já mencionado exemplo, o clube francês Paris Saint-Germain, como um clube estatal, uma vez que a sua propriedade está associada a um fundo soberano do Qatar. Será que o mesmo vai acontecer com o nosso SC Braga? Desde 2011, ano em que o QSI adquiriu o PSG, o investimento em contratações, principalmente as denominadas superestrelas mundiais, foi superior a mil e trezentos milhões de Euros, sendo os resultados claramente um fracasso, se considerarmos que um investimento desta dimensão, tão desigual e bem acima da maioria dos clubes europeus, não conseguiu ser suficiente para transformar o clube francês numa potência nas principais competições europeias (leia-se, vencedor). Pelo meio, foi punido pela UEFA, pelo não cumprimento das regras de fairplay, e até acusado de tentar fintar os regulamentos, em outros anos, pois, na realidade, e não sendo difícil de perceber, não gera dinheiro suficiente para ter a equipa que tem, distorcendo a concorrência na economia do futebol europeu. Em bom rigor, o clube não passa de um capricho dos seus donos – e o futebol europeu compactua com esta situação. Em suma, percebemos que, no contexto de uma entidade desportiva, como numa empresa, uma gestão eficiente e rigorosa implica, necessariamente, um planeamento cuidado no sentido da constituição de uma equipa em que todos são “estrelas”, e em que o coletivo tem de prevalecer sobre o individual, não só porque o dinheiro nem sempre prevalece, como tem sido o caso, mas, sobretudo, este não pode ser a tónica principal. Os clubes têm de continuar a ser dos seus adeptos, custe o que custar, e não é a troco de uns milhões de Euros, ou de simples promessas de crescimento e de títulos, que isso deve mudar. O futebol não pode fazer-se, sequer, de títulos, simplesmente porque apenas 1 pode ganhar, ano após ano, em cada uma das competições. No futebol, como na vida, o que mais importante é o caminho, é a evolução, o crescimento, mas tudo de forma sustentável, sadia e humana. Consciente. Digna. Sem atropelos. Sem ganâncias. Por muito que isso esteja cada vez mais difícil de aceitar.
Autor: João Gomes
DM

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3 novembro 2022