“Odiabo não chegou, mas isto está preso por arames” – Daniel Bessa, economista, socialista e ex-ministro da Economia de António Guterres
Ponto um – Nesta história de governar o dinheiro, as vontades e o destino dos outros é sempre preciso que a racionalidade, a sensatez e o rigor estejam presentes na mente dos responsáveis (eleitos e bem eleitos) e que os pressupostos da governação não sejam, de modo nenhum, objecto de jogos políticos imbecis, demagógicos e, naturalmente, inconsequentes.
Ao longo dos anos, os portugueses sentiram bem na pele a incompetência, a desonestidade e o laxismo de muitos dos políticos que tiveram a chatice de nos governar. Não foram prudentes nas contas do Estado e nas empresas públicas que geriam. Não foram estratégicos na planificação, nem tão pouco visionários nas acções e muito menos sérios nos comportamentos. Tanto que assim é, de um país maravilhoso e solarengo consolidamos dois milhões de pobres e cerca de 500 mil pessoas a receber RSI – rendimento social de inserção. Temos, por outro lado, reformados a receberem esmolas depois de uma vida de trabalho e pessoas a viver em casas indignas de seres humanos. Temos ainda uma precariedade laboral inaceitável e um abandono escolar vergonhoso. Listas de espera para consultas médicas que fazem desatinar o mais insensível cidadão. Se juntar a estas malfeitorias preocupantes a dívida nacional, completamente surreal e impagável, e a corrupção, imprópria para um país europeu que infelizmente campeia por estes lados, o cenário fica bem mais composto e realista.
Ponto dois – Outros indicadores, contudo, existem que revelam a fraqueza cívica, intelectual e a falta de memória deste povo que se deixa domesticar por umas tretas mais que batidas e por uns míseros euros de aumento, fazendo, depois, de conta que não se apercebe que está sendo enganado nos impostos indirectos que sorrateiramente lhe vão surripiando da carteira.
Com a complacência ou com a cumplicidade de uma certa comunicação social e de jornalistas avençados os homens do poder vão passando a mensagem do “país está melhor”, do fim da austeridade, da palavra dada-palavra honrada e das contas certas, quando sabemos que os problemas se agudizam e as nuvens negras se aproximam a todo o gás.
Ponto três – A Caixa Geral de Depósitos (CGD) como ninho descarado de boys – O que se passou com a gestão da CGD entre 2005-2011 é de bradar aos céus. Ninguém percebeu no tempo a razão das benditas esquerdas nacionais quererem esconder o assunto dos caloteiros, impedindo de todos os modos que a auditoria chegasse clara ao conhecimento do cidadão. Agora, na impossibilidade de continuar o jogo do esconde-esconde, as ditas esquerdas sacodem a água do capote, dizendo com desplante que sempre estiveram disponíveis para pôr tudo em pratos limpos, acusando até de ser a “direita” a causadora do imbróglio. Grande lata!
Estas “brincadeiras” de favorecer os amigalhaços com muitos milhões de euros nos bolsos provocou danos irreparáveis na economia nacional, contribuiu para a degradação da imagem do país e deu um duro golpe na coesão social. Tantos milhares de milhões de euros que voaram para os destinos das offshore nas asas da seita poderosa e intocável até há bem pouco tempo. Neste tocante e em jeito de justiça, abençoada Procuradora Joana Marques Vidal!
Ponto quatro – A democracia pela sua essência carrega um rol de fragilidades existenciais que vai permitindo o aparecimento e o desenvolvimento de linhas ideológicas pouco claras e de duvidosa funcionalidade no que diz respeito à construção de sociedades equilibradas e de pendor plural. Não basta apregoar na praça pública combates pelas igualdades, pela estatização dos serviços públicos, pelos direitos das pessoas, por melhor vida para todos, quando a história dos povos governados por essa gente nos diz claramente que a miséria, a perseguição, a arbitrariedade, os gulagues e o abuso do poder são realidades presentes. O sucesso governativo das esquerdas no poder atinge a insofismável percentagem de 0%. Não restam dúvidas que a esquerda na governação paralisa a economia, torna os cidadãos passivos e dependentes, é persecutória e atenta contra as liberdades das pessoas. A Venezuela é um exemplo claro.
Autor: Armindo Oliveira
Ponto por ponto
DM
24 fevereiro 2019