“A gente não se liberta de um hábito (de um governo, digo eu) atirando-o pela janela. É preciso fazê-lo descer a escada, degrau a degrau.” Mark Twain - escritor e humorista americano (1835-1910)
Ponto um - Valeu a pena incomodar Rui Rio. Os meus parabéns pela atitude corajosa e frontal de Luís Montenegro (LM) ao desafiar o líder do PSD. Este gesto fez agitar as águas estagnadas do consulado de Rui Rio. O desafio de LM, aparentemente divisionista e extemporâneo, criticado severamente pela ala acomodada, veio clarificar uma situação política no maior partido português.
Situação que se arrastava há demasiado tempo para prejuízo evidente do país e das instituições democráticas. Rui Rio estava paralisado e a precisar deste “bate barbas” dada a sua postura do “deixa-andar”, verdadeiramente incompatível com as exigências de um país europeu e de um democracia activa e pluralista. Dava a ideia que Rui Rio estava esquecido que era líder da oposição e de perceber que o PSD é um partido de governo.
Ponto dois - Rui Rio pensava que o ser sério e ser um dos paladinos da transparência e da ética na política chegariam para conquistar o poder. Fica-lhe bem ser assim, intransigente e com uma postura de rectidão, mas anda completamente enganado, porque, do outro lado, existe um político matreiro (manhoso), um pintor de cenários fantasiosos e um vendedor de ilusões. E tem vendido bem o produto contrafeito a uma clientela acéfala.
Além disso, é detentor de um discurso impreciso de meias verdades e de refinados embustes que vai levando muitos portugueses de gingeira. A este propósito, recordo as palavras espontâneas de uma senhora reformada que passou nos ecrãs televisivos: “O Costa dá-nos um aumento de meia dúzia de euros e depois, sorrateiramente, tira-nos muito mais”. Mais palavras para quê?!
Ponto três - Nunca um líder de oposição teve à sua disposição um cardápio de ofertas negativas tão recheado para fazer um oposição franca e assertiva como, agora, este que é apresentado pelo governo insosso da geringonça. Rui Rio tem tudo para vencer as legislativas deste ano, principal objectivo do PSD.
É preciso repor a normalidade democrática, aquela normalidade de cariz europeia que foi posta em causa com a subida ao poder da extrema-esquerda. A tal extrema-esquerda que é contra a União Europeia, contra o Euro e contra a livre concorrência e contra a iniciativa privada. São estes absurdos que têm que sair da governação deste país.
Ponto quatro - O que temos no momento a governar é um “governo” de brincadeira que se limita a navegar na conjuntura económica, a fomentar ilusões, a reivindicar, como patente sua, as ”medidas” tomadas e a criar problemas sérios para o futuro de todos nós. Nesta história há sempre um futuro.
Um futuro para gerir, para viver, para sonhar. E nós portugueses já deveríamos ter aprendido a lição do passado e saber bem que o futuro se pode transformar num pesadelo para muitos e para muito tempo, se a montante o trabalho político for encarado com demagogia e irresponsabilidade.
Foi isso que aconteceu ainda há bem pouco tempo. Convém que tenhamos a memória bem desperta para não engolir o mesmo receituário tão bem cozinhado por Sócrates e seus associados. Os mesmos que estão agora no poder. Eu, pelo menos, não esqueço.
Ponto quatro - A economia portuguesa está no caminho da estagnação, enquanto os países da nossa igualha continuam em crescimento. Alguns indicadores: O rendimento “per capita” cai para o vigésimo primeiro lugar da União Europeia, prevendo Bruxelas que Portugal seja ultrapassado de uma assentada pela Eslováquia, Estónia e Lituânia em 2018, ficando pior do que em 1999.
A dívida do país (pública, das famílias e das empresas) cresce sem parar há seis meses consecutivos. O número de greves supera o verificado no período negro do Resgate Financeiro. A Saúde está pelas ruas da amargura. A Educação continua em desnorte e a desenvolver experiências pedagógicas e programáticas completamente surrealistas e inconsequentes.
A ferrovia vive tempos complicados, com comboios velhos alugados aos espanhóis para suprir necessidades prementes. O transporte fluvial em Lisboa, atinge níveis de desconforto e de incumprimento que já não é possível esconder esta realidade. A frota de carros da PSP, da PJ e da GNR está encostada às boxes por velhice, por falta de manutenção e por avarias irreparáveis. E tantos outros problemas existem, contrariando a cartilha do “país está melhor”.
Tudo isto se passa num país pintado a cor de rosa e enfeitado por ilusões. Não é possível!
Autor: Armindo Oliveira