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Ponto por ponto

O país continua na saga do optimismo e dos sorrisos. Imparável para gáudio dos homens das sondagens e dos fazedores dos "focus group". Não há maneira de abrandar. Já era mais do que tempo de se passar para a fase do realismo. A esquerda detesta realidades. Dedica-se a construir cenários fantasiosos, não fosse a utopia o combustível para alimentar a chama das ilusões que não conduz a nada e a sítio nenhum. Até às eleições legislativas de 2019, vamos assistir ao reforço da demagogia e das mentirinhas. Apesar de tudo, Portugal está na moda! E isso é bom para todos. Ou para quase todos! Temos que agradecer ao dr. Costa! Ponto 1 - Os incómios proferidos pelo antigo ministro alemão, Schäuble, e reiterados pelo actual ministro das Finanças de Merkel ao ministro Mário Centeno, predispõe o mais desatento cidadão nacional a interrogar-se acerca da justeza desta posição política. Porquê tantos elogios vindos de políticos alemães, normalmente muito austeros com as palavras, muito cáusticos e críticos nas avaliações em relação aos governos dos países do sul? Porquê um partido de "direita" andar a perder tempo com lisonjas a um governo que usurpou o poder e que é apoiado por radicais de esquerda? Será pelos lindos olhos de Centeno ou pelo seu sorriso patético? Não, não é! Mas, tudo isto é compreensível. Passos Coelho (PC) aplicou, para salvar o país, a estratégia da maldita austeridade. Mário Centeno (MC) para controlar as contas aplica as abençoadas cativações. A austeridade de PC fazia cantar a "Grândola, vila morena" e motivava os sindicatos esquerdistas para a convocação de manifes ruidosas. As cativações de MC abrem-nos a alma, dão-nos alento e uma esperança incontida. A diferença das duas estratégias reside na brutalidade ?) de uns e na habilidade de outros. Ou no realismo de uns e das fantasias de outros. Não será? Ponto 2 - "Não fosses burro" - é assim que uns tantos camaradas de um antigo deputado da nação se justificam, perante o comportamento sério e honesto que esse deputado teve, durante sucessivas legislaturas, de nunca ter enriquecido e olhado pela sua vida, enquanto desempenhou a função de representante do povo português na Assembleia da República. "Não fosses burro" - é o epíteto que se ouve, quando se é correcto e se coloca o interesse público acima dos interesses pessoais. É a prova evidente que os valores democráticos e civilizacionais estão deturpados e em decadência. É um incentivo aos malabarismos e às traficâncias do poder. É, em suma, um atributo dos fracos e dos incapazes. Não se pode ser sério neste país. Quem for sério, ouve destes desaforos ou coisas semelhantes. É o país que temos! Ponto 3 - As Escolas continuam marcadas pelo excesso de burocracia, pela indisciplina dos alunos, pelo abandono escolar, pela falta de condições (recursos humanos e financeiros) e pela treta de um Ministério que se faz de morto, perante situações que mereciam um tratamento adequado para se ajustar à verdadeira dimensão e à importância que tem a Educação neste país. O que se passou muito recentemente na Escola André de Gouveia, em Évora, é muito grave. Os motivos apresentados pelos pais são claros e não dão margem para se arranjarem desculpas esfarrapadas: "Falta de higiene e de segurança". Estes motivos são graves para a funcionalidade do sistema educativo. Mas, as cativações implicam cortes e mais cortes. Sendo assim, nada há a fazer. Há que aguentar até novo pacote de promessas. Só promessas, claro! Ponto 4 - António Costa deu os parabéns a Martin Shulz do partido SPD pelo apoio dado a Angela Merkel do partido CDU, na formação do novo governo alemão. Um governo do chamado Bloco Central. Não se percebe a congratulação do dr. Costa, quando, ele próprio, recusou tal apoio ao vencedor das eleições legislativas de 2015. Preferiu formar uma coligação de derrotados, para salvar o seu futuro político e nada mais. Não fosse isso, o dr. Costa tinha desaparecido de cena e o seu partido entraria em rota de colisão. Basta olhar para os partidos socialistas da Europa!
Autor: Armindo Oliveira
DM

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5 fevereiro 2018