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Ponto por ponto

Enterrados os mortos, tratados os doentes e saradas (?) as ulcerações do SNS, é tempo de se avaliar o que correu mal e, depois, preparar a bazuca ou a “vitamina”, como diz o outro, para animar um pouco a mui debilitada economia nacional. Este bónus europeu de 13,9 biliões de euros é a única e última esperança que este governo tem e apresenta para limpar a imagem degradada e falida, exponenciada nestes tempos de pandemia. Plano há, o PRR - Plano de Recuperação e de Resiliência – e também lhe estão associadas muitas críticas e muitas adjectivações vindas dos mais variados sectores económicos e sociais. Até da Cultura. Pelos vistos, o bónus europeu é demasiado curto para as necessidades que existem. Era preciso muito mais. Sempre mais para um país insaciável!

Ponto um - Para quem tinha dúvidas acerca das debilidades gerais do país, ficou demonstrado que a propaganda não cria riqueza, que as promessas se esfumam ao virar da esquina, que a robustez económica, tão propalada nos últimos seis anos, não passou de uma ilusão e que distribuição dos recursos financeiros que não existem é o combustível ideal para gerar mais pobreza e, obviamente, mais dependência. Quer isto dizer, foram seis anos perdidos e enrodilhados em fantasias e em narrativas vazias. No final, alguém vai pagar a factura.

Como é habitual no país, este é mais um governo que não preparou a economia para responder às imensas dificuldades sociais que se vinham instalando e se agudizam agora por manifesta inaptidão e por uma visão distorcida da realidade. O dr. Costa pensou mais na sua sobrevivência política, na imagem, nas sondagens, na sorte, no politicamente conveniente do que no futuro do país. Nos sorrisos e nas desvalorizações dos problemas, dos reparos e das críticas. Nos optimismos e no deixa andar que isto se resolverá. Só gente imprudente e incapaz não consegue perceber os ciclos económicos e as “vacas magras” que lhe estão inerentes. Não aprendeu nada, mesmo nada, com os erros do passado. De um passado triste e humilhante em que ele próprio fez parte como número dois. Voltou a cair na mesma esparrela. Agora, tremendamente aflito pede socorro àqueles que, há pouco tempo, os mimoseava de repugnantes. O destino tem dessas coisas.

Ponto dois - Para mitigar as dificuldades que se mostram descaradamente em todos os sectores económicos, sociais e culturais, o remédio é recorrer ao endividamento. Endividado e cada vez mais no fosso. Cada vez mais dependente. Pedir e sempre a pedir. Não há outro meio.

Todos os meses, chegam aos cofres do Estado, vindos dos mafarricos credores, biliões de euros. Já se fala em perdão parcial da dívida, o que é simplesmente um vexame para Portugal.

Queremos ser um país do primeiro mundo, mas com a carteira de um país esfarrapado. Somos já a terceira economia mais endividada do mundo. Uma vergonha! Uma coisa inacreditável! Isto para um país europeu, que já recebeu da União Europeia mais de 140 biliões de euros de borla para se desenvolver, é obra! É um caso que merece um estudo aprofundado por parte dos políticos e uma reflexão muito apurada por parte dos portugueses. Responsabilidades não se podem pedir a quem meteu o país neste buraco, porque os políticos estão devidamente protegidos e passam impunes pelos pingos da chuva. Portugal é mesmo um pais bestial!

Ponto três - Com o mapa das causas fracturantes todo aprovado, os extremistas viram-se agora para a idiotice de enxovalharem os nossos heróis e para a patética ideia de demolir os monumentos salazaristas. Tinham muito e muito para demolir, tal foi a obra feita.

Até o 25 de Abril não escapa a esta sanha de intolerância, uma vez que o “luminoso deputado” socialista Ascenso Simões teve a desfaçatez de classificar este acontecimento histórico como um dia de festa, quando deveria ter sido um dia de revolução com sangue e com mortos. Depois de dizer estas alarvidades, este medíocre refugia-se e escuda-se nas metáforas e na linearidade das palavras. Nem coragem tem para assumir as suas patacoadas. Triste gente!

Que dizer destes políticos de meia-tigela?! Porque provocam clivagens artificiais na sociedade nacional, num momento de muita fragilidade social, em que deveriam ter muito cuidado com as palavras, com os gestos e com as atitudes? O “chefe’ não diz nada? Porque não se preocupam com o desenvolvimento do país e com o seu bem-estar?

Estes extremistas, pelo que dizem e pelo fazem, não regulam bem da cachola. Só pode ser! A idiotice sempre em forma na política nacional.


Autor: Armindo Oliveira
DM

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7 março 2021