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Ponto por ponto

Quem habitualmente lê certa imprensa escrita, quem gosta de apreciar a leveza e a sagacidade argumentativa de certos comentadores dos jornais e quem ouve, com algum cuidado, os telejornais fica com a sensação nítida que em Portugal não existem problemas de espécie alguma. Tudo, neste país caminha em completa segurança, bem-estar e, ainda por cima, a desenvolver-se economicamente na perfeição. Neste cenário de tranquilidade pandémica, a esperança e a confiança persistem; os optimismos e os afectos recrudescem e uma onda gigantesca de generosidade e de tolerância inunda o país. Tudo rola, portanto, sobre esferas.

Ponto um - Entretanto, sejam bem-vindos ao mundo das fantasias. Ao “wonderland” da costa ocidental da Europa. É isso que fazia falta à União Europeia. Um pouco de magia para se criar um ambiente ainda mais retemperador e mais desanuviador nas mentes dos “queridos líderes” que não se deixaram chamuscar pela famigerada austeridade. Escorraçaram-na como se faz ao “diabo ganchinho”. Nada disso aconteceu com a governação singular e de mudança verificada nos últimos anos e que ficará inscrita em letras douradas na História deste país.

É preciso agora adocicar, com elixires torrados, as fantasias no social, na economia e nas finanças. Também nas áreas sanitárias e educativas. O mundo político que detém o poder, não precisa dessas fantasias. Já lá estão impregnadas há tempo demais. Há cinco anos e tal. E o mais saboroso é que os portadores do “vírus” das ilusões e dos fingimentos infectaram uma boa parte da sociedade nacional, tornando-a anémica, acrítica e dependente dos “xaropes” que chegam às carradas e diariamente de Bruxelas.

Ponto dois - Estes carismáticos líderes estão a construir um país sem sarilhos e com optimismos suficientes que catapultarão o país para patamares de desenvolvimento nunca vistos e sentidos. Não foi fácil chegar aqui. Para ornamentar ainda mais a coisa, até milagres houve. O milagre económico que nos guindou para altos crescimentos que se reverteram em melhores salários e em pobreza residual. Em menos dívida e em défices zero. As listas de espera para consultas de especialidade e para cirurgias acabaram-se. Há agora médico de família para toda a gente e até enfermeiro de família. Os resultados educativos tornaram-se excelentes como demonstra o TIMMS. A segurança atingiu níveis invejáveis. O caso SEF foi uma anormalidade. Depois do milagre económico, apareceu o milagre sanitário. Este ligado à luta contra o Covid. Portugal tornou-se, por via disso, um exemplo mundial a seguir, em que o próprio vírus deu à soleta deste cantinho à beira-mar plantado.

O sucesso marcava a governação. Sucesso na Economia e nas Finanças. Sucesso na Saúde e na Educação. Sucesso na exploração do lítio e na arborização das matas ardidas. Sucesso na descoberta dos meliantes que tinham assaltado os paióis de Tancos e no combate aos fogos mortíferos. Sucesso na Justiça e na precariedade laboral. O sucesso, portanto, era total e muito bem divulgado (propagandeado) pelos quatro cantos do país. De lés a lés.

Ponto três - Nunca foi preciso descer à terra para este governo se impor na política nacional. As sondagens assim o dizem e o demonstram categoricamente. O dr. Costa especializou-se em criar cenários artificiais. Assiste-se no momento ao “espectáculo” da entrega das vacinas. Um caso surreal. Um “show” de encher o olho. Mais um momento fantasioso para uma realidade muito séria.

Ponto quatro - Falemos, agora, um pouco de realidades. Vamos, então, aos pontos chave desta governação que já se vinha arrastando antes do aparecimento do vírus. Tínhamos, de facto, uma governação cansada e desnorteada. Era notório. Agora, está destruída a Economia, a Saúde, a Educação. As Finanças estão um desastre. Com as dívidas (pública e privada) a atingir números inimagináveis. As moratórias já somam mais de 46 mil milhões de euros. Uma monstruosidade! Onze mil milhões de euros já são dados como perdidos. Quem os vão pagar? Os do costume, claro. Com mais taxas e mais taxinhas. À moda socialista!

O último trunfo está na aplicação do Programa de Recuperação e Resiliência a cargo do visionário António Costa e Silva. Deposita-se neste quadro da economia muita esperança para inverter o caminho da venezuelização do país. Há que confiar! E acreditar que conseguiremos!


Autor: Armindo Oliveira
DM

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3 janeiro 2021