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Ponto por ponto

“Não existem métodos fáceis para resolver problemas difíceis” René Descartes - filósofo, físico e matemático francês (1596-1650)

Ponto um – O momento político é deveras confrangedor e até de futuro imprevisível, interferindo de forma bastante incisiva na qualidade de vida de todos os portugueses. Até na liberdade individual. (Se fosse um governo do PSD a tomar estas decisões, cairia o Carmo e a Trindade. A esquerda não perdoava tamanha afronta. Daí, o direito à indignação, a luta de rua, a manipulação da comunicação social, os enxovalhos pessoais, os rótulos ideológicos seriam acções infernais).

Tomando como referência o pensamento de Descartes, podemos lançar para o debate público três questões que deveriam figurar na agenda das preocupações e das responsabilidades de quem governa este país.

Primeira questão: Como iremos resolver o problema sanitário, económico, financeiro e social que está bem alojado e em crescendo dentro de portas? A “bazuca” chegará?

Segunda questão: Os problemas resolver-se-ão com a aplicação de metodologias facilitistas, apoiadas na sorte, nas ilusões, na propaganda, nas “solidariedades” da União Europeia e de outras instituições internacionais?

Terceira questão: O caminho mais acertado a seguir não seria falar a verdade ao país acerca da economia e das finanças, arregaçar as mangas, encarar a situação com realismo e partir para a resolução dos problemas com rigor, espírito de sacrifício e determinação?

Ponto dois – Uma coisa é certa: Deixar arrastar os problemas, iludir as pessoas que tudo se resolverá sem dor e por obra e engenho de entidades mitológicas ou esperar pela generosidade da União Europeia será, claramente, um erro clamoroso e uma desgraça já experimentada e bem sentida, aquando o resgate financeiro de 2011. Reerguer o país será uma tarefa rigorosamente espinhosa e complicada que vai exigir inteligência, sacrifícios e, essencialmente, coragem. Coragem para se tomar medidas difíceis em ambientes políticos, habituados nesta legislatura, às facilidades e aos optimismos. Os socialistas já provaram que não são capazes de incrementar políticas corajosas, daquelas políticas que impliquem mexer com “direitos”. Os “direitos” dos cidadãos são intocáveis para este partido, mesmo que o país caia aos farrapos e se desfaça em cacos. Daí, ser plausível e aceitável que a recuperação económica e social do país não passe pelo PS ou pela linha extremista que o apoia, seria uma dupla desgraça, pois esses gostam de camuflar os problemas e de os empurrar com a barriga para outros tempos, para outras gerações. Fazem isso com toda a leviandade e falta de respeito. O que é certo, é que, a recuperação do país não vai ser feita, com toda a certeza, com mais despesa pública, mais endividamentos, mais défices. A recuperação não vai ser feita com promessas, com mentiras, com contratações faz-de-conta, nem com injecções falaciosas de milhões e de milhões na economia. A recuperação não vai ser feita com ideologias baratas, nem com fricções políticas e sociais perfeitamente extemporâneas e escusadas.

Ponto três – O problema actual do país é sério e multifacetado. Precisa de gente séria para o resolver. Precisa de gente determinada e com elevado sentido de Estado. Precisa de gente inteligente que olhe para o país e não olhe para a sua sobrevivência política, para as benesses que pode distribuir pelos familiares e amigos. Não precisa de gente para exibir o poder de forma saloia e arrogante. Contudo, o problema maior do país reside na falta de credibilidade dos partidos políticos, da qualidade dos seus líderes e das elites económicas e culturais. São estas entidades e personalidades que falham estrondosamente. Daí, termos uma sociedade em desequilíbrio e um regime a agonizar. Um regime, cuja maioria dos eleitores já não vota. Não vota, porque não acredita e não confia. Porque essa democracia se tornou tentacular e opaca. Porque é clientelar e permite nichos de corrupção inaceitáveis. Porque a ética desapareceu e a justiça social é vista por um canudo ideológico. Porque rotula quem não for dos seus e insulta quem pensa diferente.

Estes políticos, ainda do tempo do PREC, tornaram esta democracia pedante e a caminho do socialismo. Socialismo, uma visão de sociedade que está fora do prazo de validade. Nem mais!


Autor: Armindo Oliveira
DM

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29 novembro 2020