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Ponto por ponto

Anda muita confusão neste país. Se anda! Não sei se foi o vírus que desgraçou a cabeça a esta gente ou se foi de tanta propaganda emproada e graciosamente trespassada pelo dr. Costa para ver se as coisas se endireitam por cá, já que esquerdizar mais não é possível para um povo de brandos costumes e pouco reivindicativo. O povo, o nosso povo, como dizem os comunistas, até gosta de ser engarrafado e deixar-se levar na onda bonançosa das promessas e dos quereres.

As linhas da razoabilidade e da sensatez estão intoxicadas. Se assim não fosse, o tal povo mexia-se perante o desatino e os anúncios socialistas e dizia coisas da sua justiça, como aconteceu na Feira do Livro em Lisboa com aquela jovem a altercar o Presidente da República.

Ponto um - O tempo político de agora é de continuar a debitar fantasias, de enrodilhar os problemas, de anunciar milhões para tudo e que, depois, esses milhões se revertem em nada. O tempo é de culpar o “desgraçado” do Passos Coelho por todos as incompetências dos socialistas, como o caso incrível do negócio ruinoso do Novo Banco, da reversão estúpida da TAP e da anacrónica bitola ibérica nos carris, para não falar nos comboios velhos que se arrastam pelo país. O tempo é de fazer de conta que não há problemas sociais, a fome não existe, os “velhos” são tratados como hóspedes VIP nos Lares, a economia vai galopar em V acelerado, a dívida se auto-controlará, o país se erguerá das cinzas por milagre costa-leão e o SNS resolverá, a tempo e a horas, as cirurgias e as consultas de especialidade em atraso. A Justiça é uma pasta em desnorte. Da Educação já ninguém fala. Com semelhante timoneiro desta incrível “embarcação” não há tempestade, nem mormaço que a faça perigar ou paralisar.

Ponto dois - O meu amigo Zé é tão igualitário na ideologia que não vê diferenças zoomórficas entre moscas e abelhas. Para ele, moscas e abelhas são insectos com asas, característica que é suficiente para os relevar em igual importância na sua prestação funcional e na interacção com o homem dentro do ciclo da própria Natureza. Quando a confusão chega a este ponto, de moscas e abelhas, não vale a pena entrar no campo da dialéctica para, ao menos, as coisas ficarem com outros contornos e as ideias terem uma certa lógica e razoabilidade.

É difícil remover ideias feitas e fixas. No caso das moscas e das abelhas, a diferença parece-me óbvia e está a dois dedos da testa e a um palmo dos olhos. Eu sei que na linha marxista, “treta” do séc. XIX, produtor e parasita têm ideologicamente o mesmo sentido, estatuto e até os mesmos direitos, se bem que a classe produtora seja combatida sem piedade, por ser a exploradora e opressora da classe operária.

Numa sociedade liberal, além dos direitos, existem também responsabilidades, deveres e obrigações que terão que ser assumidos, não só por aqueles que estão mais disponíveis a criar riqueza, mas também pelos outros que se esquecem que a vida, tal como a moeda, tem duas faces. Quem investe, arrisca e trabalha merece ser recompensado. Os outros, não sendo fácil, têm todas as possibilidades e oportunidades de entrar para o mundo empresarial e da abastança. Isto é o que caracteriza uma sociedade inovadora, empreendedora, aberta e moderna.

Ponto três - O amigo Zé é defensor do princípio marxista: “De cada um conforme as suas possibilidades, a cada um conforme as suas necessidades”, tal qual como a abelha e a mosca. Ou seja, a “abelha”, como entidade produtora de riqueza e de bem-estar, vai ter que suportar as necessidades da “mosca”, como entidade parasitária e patogénica. Este princípio anacrónico é ainda hoje, no século XXI, defendido pela esquerda nacional, apesar das múltiplas experiências falhadas pelo mundo inteiro. Com miséria e guerras. Com despotismo e massacres. Em Portugal, com a esquerda no poder não se avança e a estagnação crónica se consolida, entremeada por recessões e bancarrotas. Que o digam os socialistas nacionais!

Para reforçar e aclarar este ponto de vista é conveniente referir os pensamentos de Mário Soares e de Olaf Palme, primeiro-ministro sueco, em 1976. Mário Soares diante de Olaf Palme: “em Portugal vamos acabar com os ricos e repartir a riqueza pelos pobres.”, tendo respondido Olaf Palme: “não te confundas, Mário! Aqui, na Suécia, queremos que todos sejam ricos!”. Esta é a diferença que marca os povos e as políticas, tal e qual como as abelhas e as moscas. Mais tarde, Mário Soares, em desespero, meteu o socialismo na gaveta. E porquê?

O paradoxo disto tudo, é que, neste país não se aprende nada com a História, com os erros e com os exemplos vindos de fora. Continuamos a combater as “abelhas” e quem produz riqueza para termos cada vez mais “moscas”. Assim, seremos, de facto cada vez mais igualitários à moda do amigo Zé: iguais na pobreza. Até na pobreza de espirito. Nem mais!


Autor: Armindo Oliveira
DM

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13 setembro 2020