Dizia o presidente do SC Braga, numa entrevista concedida à CNN, que a contratação do treinador Carlos Carvalhal foi um projeto a dois anos. Essa informação vem confirmar o que foi por mim referido no artigo da semana passada, nomeadamente, da ausência de um projeto de médio/longo prazo que compense a desigualdade de recursos relativamente aos demais três grandes clubes em Portugal.
A estratégia que tem sido seguida segue indicadores preocupantes, parecendo que não há interesse em ambicionar mais do que o quarto lugar na Liga, dado que a prioridade tem sido comprar e vender passes de jogadores em quantidade, pois o negócio continua a sobrepor-se ao sucesso desportivo.
A restante entrevista foi insípida, com um entrevistador muito simpático, mas que não colocou questões relevantes, como, por exemplo, as várias buscas das autoridades judiciais à SAD do clube, ou se o lote de ações, vendidas pela Câmara de Braga, e que vão definir o futuro do clube, pertencem a membros/familiares da atual administração.
Relativamente ao balanço positivo, como foi classificado, dos últimos oito jogos com os ditos três grandes, é importante relembrar que o SC Braga terminou as últimas três épocas com uma diferença superior a 20 pontos do primeiro e segundo classificados. Resta saber como é que cada um mede o sucesso obtido.
Um outro aspeto deveras importante é a ausência de soluções a um modelo de gestão completamente esgotado e datado, restando relembrar, constantemente, o passado e os salários em dia dos colaboradores, como se isso não fosse uma obrigação de qualquer organização ou empresa.
Os sócios e os colaboradores desejam é que alguém se preocupe com eles e que vivam num ambiente saudável. Desejam saber por que motivo os jogadores mais talentosos são transferidos para os adversários diretos, adiando sucessivamente o projeto desportivo e ficando de fora na discussão do título de campeão nacional.
Sócios, colaboradores e simpatizantes em geral exigem saber:
— onde foram investidos os cerca de 140 milhões de euros provenientes da venda dos passes de jogadores, nas últimas quatro épocas;
— a que se deve o aumento do passivo;
— qual a razão para a primeira fase da Academia ter custado mais de 15 milhões de euros, quando estava previsto inicialmente que fossem 9 milhões e foi financiada com antecipação de receitas;
— porque continuam a ser pagas comissões exorbitantes a intermediários, no valor de muitos milhões de euros, por exemplo, 9 milhões de euros na venda do passe do Trincão, 2,5 milhões de euros nas vendas de Ruben Amorim e Paulinho, quando a abordagem e o interesse foram sempre dos clubes compradores.
O que é um facto é que a entrada destas avultadas quantias de dinheiro não se tem traduzido na melhoria da qualidade da equipa principal, que em 21 jornadas esta época já leva 21 pontos de atraso para o líder, tendo somente quatro pontos de vantagem sobre o quinto classificado.
O sucesso de um clube com a dimensão do SC Braga mede-se pelo planeamento, pelo profissionalismo, pela gestão eficiente dos recursos, pela transparência, pela inovação, e, sobretudo, pela dedicação desinteressada. Só desta forma conseguimos concretizar o sonho de sermos campeões nacionais. Um sonho possível!
Autor: João Gomes
Poderá o SC Braga ser campeão nacional? (2)
DM
10 fevereiro 2022