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"Plismo" ou o "Realismo mágico" no SC Braga

Quiçá inspirado em García Márquez ou em Borges, também em Braga surge um realismo mágico, agora já não aplicado às letras, mas à gestão desportiva. Uma nova candidatura se apresenta à liderança do SC Braga e, a qual se deve saudar a bem do espírito da democracia, mas eis que um novo autor de velhos catecismos apresenta um mundo quimérico em forma de programa eleitoral, que por obra e graça do amor e da vontade criará um universo idílico em torno do Clube, dos seus adeptos e – porque não? – de todos os outros, que por certo se converterão a um novo conceito, o "plismo", corrente que unificará a novilíngua do mundo braguista.

Com o renovado realismo mágico, o Estádio Municipal de Braga rebentará pelas costuras com 30 mil fervorosos adeptos em todos os jogos. Mas será isso possível, à luz do "plismo", num simples estalar de dedos? Claro que não.

Mas com a colocação de escadas rolantes no interior do recinto não faltarão hordas de adeptos desejosos de conhecer tamanhas maravilhas do mundo moderno, beneficiando também, quiçá, de tapetes voadores que flutuem sobre o relvado e aumentem a lotação do estádio, certamente já escasso para tão flagrante procura.

O universo irá por certo confluir para o parque de merendas em redor do Municipal, autêntico éden para os milhares e milhares de adeptos que ali se reúnem após peregrinação desde o centro da cidade, no já anunciado Caminho do Gverreiro que será como um cordão humano, inquebrantável durante todo o ano e em especial nos meses de inverno, quando os fiéis se deslocarão em massa, ao frio e à chuva, mas aquecidos de um braguismo efervescente.

Para o “Plismo”, o treinador do SC Braga é o melhor do mundo e por isso, deduz-se, nunca será despedido.
Também os jogadores são os melhores do mundo, pelo que lhes serão propostos contratos vitalícios.

Os adeptos – adivinhem – são os melhores do mundo, menos os que apoiam António Salvador, que se calhar também não são bem adeptos, pelo que podem ser enclausurados num universo paralelo onde caibam igualmente os títulos alcançados nos últimos 14 anos, as grandes épocas europeias, as históricas transferências realizadas, a gestão que permite que todos os funcionários recebam religiosamente mês após mês, os lucros apresentados, a obra realizada e todas as benfeitorias que, por serem verdadeiras e palpáveis, tanto incomodam o realismo mágico ou esta nova versão do “Plismo”.

Queiram os sócios validar em urna esta visão idílica do futuro do SC Braga, não vá o “Plismo” ser remetido pelo voto, como na obra de Márquez, a cem anos de solidão.


Autor: Fernando Parente
DM

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21 abril 2017