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Pequenez

Depois de umas semanas de ausência destes artigos, retomamos esta semana a frequência da sua escrita. Foi um interregno na produção de artigos, mas desde de lá até hoje pouca coisa mudou, neste cenário pandémico a que temos sido sujeitos. Porém, da semana passada parece que estamos todos em exame.

A Escola voltou. As crianças e os jovens, sob condições muito restritivas, poderão voltar a viver no seu ambiente, a libertar o seu corpo, a mente, as emoções que foram amordaçados pelo Covid 19. Reiniciaram as aulas presenciais nas Escolas, o que cria a maior pressão da história moderna a que esta instituição foi sujeita.

À Escola não vai só o cérebro! É preciso, pois, humanizar e intensificar as emoções, mas cumprir todas as restrições a que todos estamos sujeitos. Enquanto isso, o desporto de formação está completamente parado e a sociedade está envolta num manto de incertezas quanto a esta matéria. Este cenário, com as medidas certas, poderá ser, progressivamente, revertido.

Temos que voltar a proporcionar uma vida ativa aos nossos jovens. Não é por acaso que o Desporto está incluído na Visão Estratégica para o plano de recuperação do nosso País para a década 2020-30, recentemente apresentado. Porque é muito importante para a economia, a implementação de políticas de incremento da prática desportiva, pois esta medida “tem consequências na qualidade de vida dos cidadãos” e alarga algumas possibilidades de investimento em diversas áreas.

Recentemente, Pinto da Costa, foi muito corrosivo com as autoridades da saúde, o que não consigo corroborar na totalidade, mas num aspeto, o presidente dos dragões tem alguma razão: a presença do público nos estádios. Mesmo que muito limitada e com regras exigentes, era possível, para bem dos clubes, a presença de público nas bancadas. O que está em causa própria sobrevivência dos clubes, pois todas as migalhas contam. Claro que é uma decisão difícil de se tomar. Quando todas as decisões estão sob a pressão da comunicação social, sensacionalista, de “exploração” jornalística, mas da pior forma.

Aliás, alguma imprensa tem demonstrado uma pequenez irritante nos conteúdos, na forma e no interesse de algumas matérias. É preciso e é urgente maior dignidade na cobertura jornalística. Precisamos de unir esforços, porque este problema é comum e depende de todos. Os casos de contágio não vão parar (por agora). O problema não nos vai deixar sossegados. Mas, nós temos que retomar uma vida positiva, ativa e, dentro do máximo possível, segura! Mas, agora, temos que correr riscos. Nada na vida tem valor se não existir algum risco e visão. O desporto juvenil tem que retomar, rapidamente! O público tem que voltar, limitadamente e em segurança, às bancadas. Os nossos jovens têm que sonhar e ganhar dimensão humana.

A nossa comunicação social tem que perceber o nobre papel que tem na informação, e evitar a pequenez da intriga e do sensacionalismo. Nesta dura realidade, neste percurso que ainda vamos ter que enfrentar, precisamos de entender o quanto é fundamental o papel de cada um, para não ficarmos tacanhos e encerrados numa pequenez castrante. Não se pode encontrar valor nas coisas quando se “joga” pequeno e sem princípios.


Autor: Carlos Dias
DM

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25 setembro 2020