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Para dormir melhor (3)

Do ponto de vista da aprendizagem, um sono normal e uma boa aprendizagem caminham lado a lado. Muitas crianças não dormem o tempo suficiente porque os horários de trabalho das mães e os horários escolares não respeitam as suas necessidades de tempo de sono. E, em vez de entenderem isso, alguns pais acham que as crianças já dormem de mais, devem estar doentes… Do ponto de vista económico, um mau dormir tem custos económicos não só por causa das consequências que decorrem da fragilização ou perda da saúde, mas também porque afectam a capacidade de concentração e de acção. E estas consequências não são apenas as taxas de absentismo, mas também o chamado presentismo, esse novo fenómeno que se caracteriza pela quebra de acção, de criatividade e de rentabilidade no trabalho: estão presentes no trabalho, mas com uma presença e um rendimento diminuídos… 2. Para melhorar as condições de sono, Teresa Paiva aconselha “uma pequena caminhada ao ar fresco da manhã. Vai-lhe fazer bem ao sono porque os nossos olhos têm células particularmente sensíveis ao espectro azul da luz. E o espectro do azul da luz acontece ao amanhecer. A luz do princípio da manhã é carregada do espectro azul e a do fim do dia do espectro vermelho. Nós estamos feitos para apanhar a luz do azul da manhã; isso estimula-nos e faz-nos acordar. Ao contrário, a luz do entardecer dá-nos calma e tranquilidade para dormir. O que acontece agora é que, com a luz dos LED e com os computadores estamos a alterar as regras da natureza: apanhamos luz azul tanto de manhã como à noite. E, depois, dormimos mal…”. Nas árvores de fruto ocorre um fenómeno curioso (e possivelmente relacionado): os frutos mais expostos à luz da manhã não são tão doces nem tão saborosos como os mais expostos ao sol da tarde; crescem como os outros, mas não adquirem o sabor e a doçura dos outros.   3. Como se sabe, a qualidade do sono depende de muitos factores. Um deles é o nosso estado de espírito durante o dia (é saudável cultivar um convívio doméstico alegre e são antes de ir deitar); outro é o nosso tipo de alimentação e, dentro dos hábitos de alimentação, por exemplo, o hábito de tomar café. Para alguns é bom, para outros nem tanto. Cada um deve seguir o que o seu organismo lhe diz, em termos de bem-estar: é preciso aprender a ser médico de si mesmo, dentro dos limites razoáveis do bom senso. A experiência diz que, se quer dormir bem, deve evitar tomar café a partir das 14 horas porque, mesmo tomado menos de 6H antes de ir deitar, o café pode-lhe diminuir 1H de sono. A vida sedentária é outra característica do nosso tempo. Sabemos que o sedentarismo não faz bem a ninguém. Entre outros benefícios para a saúde, o mecanismo de andar ajuda a resolver quimicamente o processo do stress; mas, quando não se pode mudar o estilo de vida, deve-se, pelo menos, aprender a minorar essa carência. Deve-se fazer um jantar leve, mas rico em nutrientes que ajudem a induzir o sono; se gosta, tome um copo de leite morno antes de ir para a cama: o leite tem cálcio e o cálcio, aliado ao magnésio (nozes, sementes, vegetais folhos, bananas) e vitaminas do complexo B (feijão, peixe, aves) ajuda na regulação do sono. Antes de se ir deitar, evite ingerir alimentos picantes e gordurosos. Assim como bebidas alcoólicas. Apesar de o álcool poder funcionar como sedativo e relaxante vascular e, por isso, ajudar a adormecer, a verdade é que altera a qualidade do sono e acorda-se com a sensação de não ter dormido o suficiente. E em casa, à noite, siga este conselho saudável e económico: diminua a intensidade da luz ambiente, porque a luz inibe a produção de melatonina, que é indispensável para adormecer. E feche a televisão, pelo menos 30M antes de se ir deitar, para que o organismo se vá adaptando biologicamente ao processo de adormecimento. Já nem se fala em ver televisão no quarto ou levar tablets para ver, na cama… (A continuar) (Nota: o autor não escreve de acordo com o chamado Acordo Ortográfico)

Autor: M. Ribeiro Fernandes
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1 outubro 2017