Encontramo-nos a viver um tempo de muita apreensão e de grande ansiedade. A nova vaga da pandemia pelo Coronavírus COVID-19 veio acentuar as nossas debilidades e pôr a nu as fraquezas do ser humano.
Os números de infetados e de mortos dos últimos dias não podem deixar ninguém indiferente e, neste cenário, os principais Órgãos de Soberania do Estado Português trataram de decretar medidas mais restritivas à circulação dos cidadãos, com o intuito de limitar a expansão da doença.
Quando muitos julgavam que os avanços científicos e tecnológicos nos punham ao abrigo de uma catástrofe desta dimensão, em poucos meses, um novo vírus veio afetar profundamente a vida de todos nós, influenciando e modificando todas as atividades humanas, incluindo a limitação de algumas liberdades.
Decorrido cerca de um ano após os primeiros relatos oriundos de uma grande cidade da China, de seu nome Wuhan, pouca conhecida no ocidente, darem conta de uma nova doença infeciosa que cursava com um quadro respiratório que podia ser fatal, muita informação foi gerada e muita controvérsia alimentada. Apesar de alguns avanços alcançados, muito há ainda para esclarecer. Neste aspeto, as questões de imunidade e de diferente sensibilidade ao vírus em distintos indivíduos carecem de muito mais investigação.
Uma autêntica corrida contra o tempo foi iniciada na ânsia de tão cedo quanto possível se conseguir ter uma vacina eficaz e segura. Em simultâneo, multiplicam-se os ensaios no sentido de obter novas ou velhas moléculas que possam ser eficazes na erradicação do novo agente patogénico.
Enquanto o mundo assiste atónito a este dramático frenesim, as nossas rotinas e os nossos hábitos têm sofrido profundas alterações. Desde as manifestações de afeto entre familiares e amigos que passaram a estar proscritas, ao forçoso mas cruel exílio forçado dos anciãos que se viram condenados à reclusão e ao isolamento, às drásticas alterações laborais no mundo do trabalho, tudo tem contribuído para uma profunda transformação do nosso modo de viver, deixando marcas bem evidentes.
Há quem já lhe chame uma nova normalidade. No entanto, é já bem patente o aumento da ansiedade e de outros quadros bem mais graves quer em adultos, quer em crianças, resultantes destas enormes transformações.
Enormes transformações, onde o teletrabalho assume um importante papel pelas implicações que tem na vida dos cidadãos, das famílias e das empresas, mas que de modo nenhum deve ser implementado sem um diálogo construtivo entre patrões e empregados, de modo a salvaguardar alguma independência e a balizar os limites do trabalho e da vida familiar.
Na realidade, o teletrabalho, onde é possível implementá-lo, traz vantagens para as empresas e para os trabalhadores. Para as empresas, na redução de custos operacionais como arrendamentos, eletricidade e transportes. Para os trabalhadores, dando-lhes mais autonomia e maleabilidade na gestão do tempo dedicado à profissão e à família.
Obviamente que também há benefícios para o meio ambiente, desde logo por evitar deslocações e a consequente diminuição de emissões poluentes, contribuindo para um planeta mais verde. No entanto, deve ser implementado em regime misto, pois no caso de ser exclusivo, a cultura da empresa, a ligação afetiva entre os colaboradores e o correspondente espírito de equipa acabará por sofrer danos irreparáveis, contribuindo para o isolamento social e para um pernicioso individualismo, cada vez mais vincado.
Enquanto a pandemia nos leva a encarar o futuro com inquietação e a mudar coercivamente alguns hábitos ancestralmente enraizados, do outro lado desse mar imenso, a que chamamos Atlântico, chegaram notícias animadoras para o futuro da Humanidade.
De facto, a eleição de Joe Biden como futuro presidente dos Estados Unidos da América trouxe uma nova esperança à grande nação americana, sobretudo na luta contra as desigualdades, o racismo e a xenofobia. A todo o mundo, fez chegar uma nova aura de confiança no combate às alterações climáticas, ao fortalecimento das relações transatlânticas e na construção mais sustentada da paz entre os povos.
Autor: J. M. Gonçalves de Oliveira