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Os senhores da crise

Uma guerra não é apenas de quem a desencadeia; é, também, e em grande parte, de quem a alimenta. São estes os verdadeiros senhores da guerra. Uma guerra sem armas seria uma guerra perdida. O mesmo acontece com a crise que estamos a sofrer; inflação que, em termos gerais, quer dizer aumento de preços das coisas. Esta guerra do aumento de preços também tem os seus culpados: os que desencadearam esta guerra, a saber: guerra na Ucrânia, aumento dos combustíveis, recessão na Alemanha, entre outros réus menos expressivos. Se estes desencadearam a guerra dos preços, outros estão no terreno a sustentá-la com a especulação que tem o nome de vampirismo. Vampiro é aquele animal que se sustenta de sangue de suas vítimas; a inflação é de dez por cento, mais décima menos décima, diz a voz oficial . Então como se compreende que estejamos a pagar pelos alimentos básicos mais de 30 ou 40%? Numas contas muito rápidas e despidas de truques ou artimanhas como se fosse um orçamento de estado, vejamos: num cabaz tipo, - aquele que mede a inflação - de 500 euros, eu deveria pagar mais 50 euros. Então por que razão me custa esse mesmo cabaz, 650/ 700 euros? Onde estão os 10% ? Quem os transformou em 40%?? Como se explica então que nos digam que a subida de preços é de dez por cento, quando na realidade é de 30 ou 40 por cento, isto não citando casos onde a inflação atingiu mais de cem por cento. Estará o governo a mentir-nos por motivos políticos, ou há outros que, governando na sombra , fazem subir os preços a seu belo talante? Se é assim, é preciso que o governo atue imediatamente colocando no terreno mais fiscalização para descobrir a careca aos que se aproveitam da pobreza humana para enriquecer. Os combustíveis subiram, os juros subiram, as matérias primas escasseiam e tudo isto junto somam mais que dez por cento. Se isto é verdade, então o governo é mentiroso e está a enganar o povo dando-lhe uma imagem diminuída da realidade. Não acredito nesta pouca vergonha governativa porque seria jogar um jogo de suicídio para novas eleições. Acredito mais que não haja fiscalização suficiente para ver o que se passa desde a entrada até à saída do produto da venda. Estes fornecedores são, na verdade, os senhores da crise. Mais um exemplo vivo: no mercado comprei fruta que me custava 10 euros; a 10% deveria pagar mais um euro; mas pago 14 ou 15 euros, isto ´´e 40 ou 50% mais. Porquê? E nesta proporção, numa despesa de cem euros, deveria pagar mais dez; então por que razão pago mais 40 ou 50 euros? E, numa progressão aritmética, quanto maior for a compra, maior é a exploração. É a vendedora da fruta ou do peixe ou a vendedora de castanhas de rua que têm culpa? Tomaram eles não perderem clientela por causa dos preços das coisas. Os culpados são os que alimentam a guerra dos preços. Os senhores da crise são os especuladores. Já agora quanto lucra o estado com a subida generalizada dos preços dos combustíveis? Não sei, mas sei que arrecada fatia grossa. Não há nada que sacie a fome dos senhores da crise: A crise é aquela guerra que “Quanto mais come e consome menos se farta”(Padre António Vieira) . Dar campo largo aos senhores da crise, não é senão o liberalizar da especulação. “ tudo isto existe, tudo isto é triste”, tudo isto é roubar, parafraseando o fado. É triste, sim, senhores. Mas mais triste é apertar a goela a quem já pouco respira.


Autor: Paulo Fafe
DM

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7 novembro 2022