Hoje, fruto de uma semana dedicada a rankings e posições de escolas referentes a médias dos seus alunos, o meu pensamento foca-se no método de ensino em Portugal e nos seus objetivos.
Todos os anos, por esta altura, vemos espelhados na comunicação social resultados nacionais de toda a comunidade escolar. À primeira vista, são catalogadas como excecionais as que atingem os primeiros lugares e, em lado oposto, são apresentadas as que ficam nos últimos lugares, quase como espaços para seres de outro mundo e que estão longe do que queremos para todos.
As escolas são o que são e pertencem todas, ou quase, ao mesmo sistema de ensino e sujeitam-se aos mesmos currículos o que não é, de modo algum, termo de comparação entre todas elas.
A minha primeira pergunta vai para o objetivo desta escala comparativa e formatada como se o público e as condições inerentes ao mesmo fossem iguais em todos os territórios. A quem serve este espelho classificativo que se exibe com grande pompa e circunstância?
Não se deveria ter em conta o perfil dos alunos, a inclusão de alunos com necessidades especiais, em que algumas escolas fazem um trabalho extraordinário, ou mesmo do humanismo com que se devem tratar os alunos de modo a prepará-los e alertá-los para uma melhor sociedade futura através do desenvolvimento de projetos de promoção da cidadania?
Não nos devemos questionar se o grau de pobreza de algumas famílias é ou não um redutor do sucesso que há em algumas escolas, nas tais que se posicionam no fundo da tabela, mas não deixam de ser tão escolas como as outras?
O bom trabalho que se faz nas escolas vai muito além dos rankings. Aliás, avaliar só em termos estatísticos estes resultados pode trazer erros de apreciação e avaliação. Estarão estes alunos e alunas de grandes médias nacionais preparados para a evolução social alucinante que assistimos no nosso quotidiano?
Preocupam-me os posts e partilhas destas notícias por alguns encarregados de educação, como se de um troféu se tratasse. Reflete um momento de vazio no que se refere a ver a comunidade numa só.
Torna-se naquele espaço de tempo que esquecemos as realidades e contextos existente noutras escolas e exibimos o nosso filho ou filha no meio desta luta matemática, como se a vida fosse ideal assim em competição.
Na minha modesta opinião, não será este o melhor caminho a seguir.
Se realmente interessam só os resultados académicos deixo aqui uma ideia que julgo ser interessante. Será que os professores afetos aos melhores estabelecimentos de ensino posicionados neste ranking não seriam excelentes trunfos para utilização futura nas escolas do fundo da tabela? Dar os melhores professores a quem mais precisa deveria ser um requisito obrigatório de qualquer projeto educativo.
Sei bem que este não é um tema fácil. Mas acredito que, daqui a uma década, já estaremos com uma visão de ensino totalmente diferente. Os países nórdicos, excecionais nesta matéria, experimentam já conceitos diferenciadores e que trazem excelentes resultados académicos.
Também eu defendo, há algum tempo, uma metodologia educativa que nada tem a ver com estes rankings. Um modelo misto, entre sala de aula e diferentes contextos sociais, onde cada indivíduo é respeitado pelo que é e estimulado nas suas reais capacidades.
A educação não formal, que não é visível em termos estatísticos, prepara todos os cidadãos para a vida real futura em comunidade e, normalmente, apresenta resultados de excelência, mesmo em locais e públicos mais desfavorecidos e com menos oportunidades.
Sonho um dia viver num país que se ensine pelas emoções, pela sensibilidade, pela estimulação da criatividade, pela socialização. Sonho um dia viver num país com um modelo educativo realmente igualitário, sem classes sociais associadas e com oportunidades de vida idênticas para cada um dos seus alunos.
Sonho um dia, para o meu país, que a verdadeira escala de avaliação entre os seus jovens seja o de se estudar a felicidade e o gosto de viver. Pois aí, com essa métrica, saberemos onde atuar no imediato para preparar um futuro mais risonho a estas novas gerações.
Um abraço e até à próxima crónica.
Autor: Ricardo Sousa