Não, não se trata de um adágio popular, embora seja tão verdadeiro quanto eles. Pus este título ao meu escrito porque foi o que me ocorreu. Não, portanto, porque seja o melhor. Mas, enfim, remedeia para poder dizer ao que vim.
Domingo, fui exercer o meu direito de voto antecipado, como tinha requerido. Pelas 14h30 ou mesmo mais perto das 15h00, lá me dirigi, com dois familiares, para o recinto da antiga feira onde estacionamos o carro. Vimos logo que havia muita gente nas filas para as câmaras de voto. Não me importei, pois o dia, com um bonito sol de inverno, convidava a desfrutá-lo. Mas, como uma das pessoas que me acompanhava estava com problemas de locomoção, indagámos da existência de uma fila prioritária. Não existia, mas, a quem perguntámos, logo nos indicou o caminho de acesso ao elevador dizendo: “quando subirem, é à esquerda.” E lá fomos as duas e, em três tempos, estávamos a votar. Constatei, com prazer, a gentileza de toda a gente, ali sentada desde manhã, sorrindo, elucidando, atenta a tudo, não descurando os cuidados de higienização… Enfim, agradeci e, pouco depois estava de novo ao ar livre, tendo saído pelo lado oposto àquele por onde tinha entrado. Esperamos, sentadas ao sol e conversando, pois o terceiro elemento familiar teve de aguardar a sua vez na respectiva fila.
Quanto ao espaço escolhido, achei que se calhar, em Braga, não haveria melhor e, mais uma vez, agradeci o sol e a temperatura amena. Foi o ideal? Não ocorreu a mais pequena falha? E alguém, neste Mundo, com esta pandemia, com tantas pessoas a sofrer e a morrer, defrontando-se com situações anómalas que, de improviso, é preciso resolver, pode pensar em ideais? Não havia, entre as filas, espaços de dois metros? Não, não havia, mas, se houvesse, talvez muitas fossem parar ao meio da rua. Outra solução, talvez a ideal que muitos procuram e até exigem, era organizar vários espaços de voto, o que exigiria também, muita mais movimentação de pessoas.
Enfim, na verdade, não vejo motivo para tantas críticas como as que li no DM de segunda-feira e, quem me conhece, sabe que sou sincera e costumo dar a minha opinião, sempre que ache oportuna. Assim, também não critico as pessoas que criticaram. Apenas discordo delas e, sobretudo, apelo a todos que votem no próximo domingo, sejam quais forem as suas condições. Desde que o 25 de Abril me deu o direito ao voto, apenas não votei num ano em que, por coincidência, me encontrava no Brasil. Considero o voto, além de um direito, um dever cívico que exercerei enquanto tiver capacidades para o fazer. Nenhuma outra questão de somenos me impedirá. Mas, enfim, é mais uma opinião.
Autor: Maria do Céu Nogueira