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O trabalho e o trabalhador

Infelizmente nem sempre assim acontece, e casos tem havido em que às máquinas se prestam todos os cuidados enquanto as pessoas são tratadas de qualquer maneira. Sobretudo quando abunda a mão de obra. E pessoas há que, levadas pela necessidade, se sujeitam a condições indignas de trabalho. 

2. Não se nega à empresa o direito de procurar o lucro. Sempre por processos legítimos, é evidente. Nunca escravizando as pessoas. Nunca explorando as pessoas. Nunca recusando às pessoas o direito de poderem ser elas, de poderem estar doentes, de poderem acompanhar um familiar ao médico, de poderem sorrir para o colega do lado ou de lhe dirigir uma palavra.

Não se nega à empresa que busque o aumento da produção, mas sempre através de processos legítimos. Nunca sugando de tal modo as pessoas que até o legítimo direito de satisfazerem imprevistas ou inadiáveis necessidades fisiológicas é cronometrado.

3. Para o aumento da produção também conta muito o estado de espírito do trabalhador, e este também depende das condições de trabalho e da forma como este é remunerado.

Trabalho digno e dignamente remunerado deveria ser, sempre, uma realidade. Lamentavelmente a estafada lei da oferta e da procura continua a impor as suas regras.

4. O lucro obtido através do trabalho deve ser justamente repartido por quem para com ele contribuiu. A justiça social continua a ser uma mais que legítima aspiração. E a redistribuição da riqueza impõe-se como imperiosa necessidade.

A empresa não deve ignorar a sua função social. A remuneração do trabalho de harmonia com o legislado não a dispensa de prestar diversos serviços aos seus trabalhadores. É uma forma de fazer justiça. Isto, sem deixar de reconhecer os riscos que corre o empresário.

5. Todos lucramos com a existência de um bom ambiente onde quer que nos encontremos. Dois meios há onde o tal bom ambiente contribui decisivamente para a felicidade da pessoa: a família e o trabalho.

O bom ambiente de trabalho não depende só das condições materiais e dos tais serviços que a empresa proporciona. Para ele contribui, em larga escala, o relacionamento entre os colegas de trabalho. Casos há, porém, em que se verifica ser o homem um autêntico lobo para o outro homem. Em que o maior inimigo – isto de ter de se falar em inimigos… – é o oficial do mesmo ofício.

Há trabalhadores que não veem no companheiro um ser igual a si, com a mesma dignidade e os mesmos direitos. Trabalhadores há que não resistem à tentação da inveja, que se deixam levar por uma ambição desmedida, que são capazes de esmagar os outros a fim de os poderem ultrapassar. Passam a ver no companheiro um rival ou concorrente a abater, e para isso não olham a meios. E surge a intriga. Surge a bisbilhotice. Surge o disse-disse. Surge a difamação e a calúnia. Surgem as aldrabices e as sabotagens.

6. Que a empresa seja, sempre, um local onde a pessoa encontre forma de se realizar. Onde tenha condições para desempenhar com alegria, com entusiasmo, com consciência e com competência, as funções que lhe forem confiadas. Onde o mérito não deixe de ser devidamente recompensado. Onde a pessoa, seja qual for a missão que lhe compete desempenhar, veja reconhecida a sua dignidade e seja respeitada por todos como ser humano que é.

Quando é exercido com profissionalismo, tão digno é o trabalho de quem cuida das casas de banho como o de quem trata da contabilidade e da gestão da empresa.

Empregados e empregadores são pessoas que visam o mesmo objetivo: a produção de riqueza que deve ser justamente distribuída por todos. Porque não hão-de caminhar de mãos dadas, reconhecendo cada um a função que o outro desempenha? Empregados e empregadores precisam uns dos outros. Uma mão lava a outra.

 

Autor: Silva Araújo
DM

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27 abril 2017