Está na “Ordem do Dia” a centena e meia de “diplomatas” russos expulsos do Reino Unido, da Alemanha, da França, da Holanda, da Bélgica, da Espanha e dos EUA, (mas não de Portugal!) por causa de Putin ter mandado envenenar, no Reino Unido, um ex-espião duplo, que aí se refugiou, depois de ser trocado por um espião americano. Também, quase todas as semanas se fala, nas pseudo-mensagens (e-mails e não só) russas, que chovem nos paÍses acima indicados em épocas de eleições, para que os resultados sejam favoráveis a candidatos pró-Rússia. São as “toupeiras” cibernéticas ao serviço de Putin.
Em termos militares tudo isso se chama “Informação” e “Contra Informação”. Eu, por 1955, tive de estudar bem essas “artes”, como cadete miliciano, em Tancos. Nesse tempo não havia cibernética, nem e-mails. As mensagens tinham de ser “cifradas” para que, caindo nas mãos do “inimigo”, este não as pudesse “decifrar”. Mesmo assim, aos 12 anos eu fui empregado de uma loja onde cada peça tinha o preço de compra cifrado. Aí aprendi a forma de cifrar e decifrar. Aos 13 anos fui para outra loja onde os preços de compra também eram cifrados. Com as “técnicas” que eu tinha aprendido, fui capaz de obter a base da cifra dos preços nessa mercearia, sem ninguém ma ter revelado.
Hoje, os humanos vivem inundados por guerras de todos os tipos e muitas delas não tem cheiro a pólvora. As guerras de “marketing” são altamente rentáveis. Essas “técnicas” servem para nos bombardearem com sons estridentes e figuras abismáticas que dão cabo dos nossos ouvidos e da nossa vista. Tudo para obter gravações no cérebro do espectador. Tais “técnicas” também servem para os “pulhíticos” ganharem as próximas eleições. Também servem para os fabricantes venderem a marca de um dado tipo de carros. Também servem para os “ilusionistas” venderem xaropes e outras “trapalhices” que são “banha de cobra” que cura todas as maleitas. Hoje, os trapaceiros das TVs, vendem as suas “banhas de cobra” a preços dez ou cem mil vezes mais elevados. Para lavar o cérebro dos cidadãos também se usam em Portugal, como nos EUA ou na Rússia, as “fake news” (notícias falsas). A mais recente em Portugal é a de que o défice de 2017 ficou abaixo de 1,1% do PIB dizendo-se que, mesmo com os 4 ou 5 mil milhões de euros que as Finanças tiveram de dar para a “Recapitalização” da Caixa Geral de Depósitos (CGD) , tal défice ficaria abaixo do exigido pela UE. Tudo “fake news”, porque não se diz que, para se atingir valor tão baixo, o Governo deixou por pagar às farmácias, por ex., muitas dezenas de milhões de euros, além de outras “manigâncias” que fez. Nem se diz que a CGD esteve à beira da falência porque o anterior administrador executivo, para satisfazer os onze (ou mais) administradores não executivos, que pertenciam (e pertencem) a todos os partidos do país, teve de emprestar dinheiros a esses partidos, sem quaisquer garantias hipotecárias, para os ditos partidos gastarem em propaganda eleitoral: Comedorias aos “trabalhadores” que pintam panos com slogans , etc., para as centenas de manif’s que realizam para pagar os largos tempos de antena que têm em todas as TVs. Agora, um dos partidos que tem um novo Secretário Geral (S.G.), tem por dentro algumas “toupeiras”, certamente pagas pelo antigo S.G. que, embora o negue, queria eternizar-se na má direcção do Partido. Essas “toupeiras” vasculham os arquivos de papel e os do Facebook, para encontrarem “fragilidades” na vida privada e pública dos membros do partido escolhidos pelo novo S.G.. E o Facebook é um óptimo instrumento para todos os tipos de “toupeiragem”. Veja-se o recente escândalo, que permitiu que, dados de uma entidade privada, fossem revelados a uns 50 milhões de pessoas. E não há dúvida que os partidos da “geringonça” também têm as suas toupeiras em acção, para extrairem ao máximo o que puderem de dentro dos seus 2 opositores.
Todas essas acções só no estilo diferem das que Nursultan Nazarbayev, ditador do Cazaquistão, usa. Consegue, com as suas fake news nas TVs do país, extrair dos bolsos das pobres gentes que lá vivem, dinheiros suficientes para as suas megalomanias: Ter uma capital (Astana), com edifícios públicos e privados, jardins, e um campo de futebol, que metem inveja aos de Moscovo e de Pequim. Usando a mesma receita, esse ditador consegue vender os recursos do País (petróleo, minérios de vários tipos, cobre, titânio, etc.) e pôr, em seu nome, no estrangeiro, uma fortuna de mais de 750 mil milhões de euros (Jornal El País dixit, há tempos).
Finalmente, o tal ditador consegue ser reeleito, numa eleição "livre e democrática", com 95,5% dos votos.
Ainda em matéria de fake news a megalomania de Nursultan Nazarbayev supera a do Trump. Mas, às vezes há males que vêm por bem: Nazarbayev trocou o alfabeto cirílico pelo alfabeto latino.
Já agora, que temos um Ministro das Finanças tão habilidoso em “extracções” de euros ao Zé, ele, e o seu patrão, perito em marketing eleiçoeiro, poderiam ter dado bons conselhos aos empresários portugueses que foram a Astana na comitiva do Sporting CP, no sentido desses empresários terem conseguido convencer o Nazarbayev a trocar o Wisky da Escócia pelo Vinho do Porto Português (porque eu já provei “Port Wine” fabricado no Canadá, o qual não era mais que uma “água pé”, de mau sabor, desprestigiante do Vinho do Porto original).
Autor: J. Barreiros Martins
O trabalho das “toupeiras” neste e noutros países
DM
8 abril 2018