A reunião pode significar a união na solidariedade, cooperação e colaboração dos fiéis a Jesus Cristo e entre si, bem como a união, a integração, conexão e sintonização das estruturas biopsíquicas com algo que as supera, o transcendental.
Se as estruturas fisiológicas, conjuntamente com as cognitivas, afetivas, emocionais e operativas se deixam contaminar pelas dinâmicas da desconexão e discordância, tal facto espelha-se na separação, colisão ou rutura da congregação, empenhada na fé pela Pessoa e pela Causa de Jesus Cristo, o Salvador da humanidade. Geram-se, assim, incómodos conflitos pessoais, sociais, religiosos ou sagrados.
As ruturas, intencionais ou não, dentro da congregação, são estimuladas pelos condicionalismos e circunstâncias do meio ambiente, que são incentivadores das nossas necessidades, desejos, aspirações e preferências para a transformação dos indivíduos, que connosco convivem, em objetos aprazíveis e, por vezes, repudiados e substituíveis.
Há, sobretudo, dois grandes acontecimentos históricos, relativos a ruturas dentro das Igrejas Cristãs. Na primeira grande rutura lampejam as crepitantes e devoradoras labaredas das cisões entre a Igreja do Ocidente e a Igreja do Oriente, no séc. XI. A sua causa parece ter sido política com as reivindicações de importância e de poder entre Roma e Constantinopla.
Concomitante com as ruturas ou cisões “A ameaça de uma Terceira Guerra Mundial é real; a perseguição dos cristãos do Médio Oriente e no Norte de África é brutal; os desafios para as Igrejas são gigantescos; o pedido de Jesus pela unidade, sempre presente”, afirma-o Anselmo Borges no seu filosófico e excelente livro “Francisco, Desafios à Igreja e ao Mundo”.
A segunda cisão, dentro da cristandade, deu-se no século XVI com a Reforma Protestante, no ano de 1517, ano em que Lutero afixou as 95 teses em Wittemberg. A sua intenção, com o propósito de curar uma situação complexa entre as duas Igrejas, foi renovar a Igreja que, nesse período, acusava vícios de corrupção, de mundanismo, obsessão pelo dinheiro e pelo poder.
Onde reina a pluralidade no culto, a pluralidade na Teologia e a pluralidade nos ordenamentos de vida, de estruturas, tradições, usos e costumes, numa só palavra, onde reinam Igrejas diferentes, é possível instituir a unidade plena?
A minha afirmação, a rondar, tremulamente, o categórico, mas fundamentada na análise crítica, clara e distinta da unidade, ora existencial ora transcendental, é esta: se as Igrejas não superam a unidade existencial, temporizada, contingente, instável, movediça e dependente dos condicionalismos e circunstâncias, promotores de benesses, não há unidade entre as Igrejas.
Porém, se a unidade entre as Igrejas se fundamenta no Bem Transcendental, simples e universal, inerente ao Uno da nossa ôntica natureza, a unidade, aí, é brilhante, é verdadeira, indissolúvel. Caminha por uma contínua e progressiva evolução para o Uno Transcendente (Deus), salvação de toda a humanidade, com os braços abertos para meigamente nos acolher.
(Desde o Papa Paulo VI até ao Papa Francisco têm sido feitos esforços para que a unidade das Igrejas Cristãs possa ser em breve uma realidade).
Autor: Benjamim Araújo
O radical fundamento da unidade entre as Igrejas
DM
11 outubro 2017