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O que tirou e o que dá (?)

Ao contrário do que sucedeu na Revolução dos Cravos, em que os apoiantes do Estado Novo se esfumaram renegando tal alinhamento, em 2011 os correligionários do engenheiro José Sócrates (JS), chefiados pelo atual primeiro-ministro, não só fizeram silêncio sobre a dúbia governação dele, como conseguiram ser Governo. Isto, depois daquele ter deixado Portugal na penúria e em que, até, o seu fiel das Finanças, Teixeira dos Santos, se viu na necessidade de lançar nos Órgãos de Comunicação Social o aviso de que os cofres estavam em penúria financeira tal, que o dinheiro só daria para um mês de despesas. No entanto, hoje, não há um único deles que se retrate e nos diga que colaborou com ele em tal despesismo, inclusive em chamar a troika. Sendo por via desse resgate, que Pedro Passos Coelho (PPC) começou a se rotulado de perverso por tirar dinheiro aos bolsos dos portugueses por vontade própria, segundo diz o Partido Socialista (PS) e seus algozes. E que foi por maldade que cavalgou os cortes nas pensões, reformas e salários e, por conseguinte, as economias familiares, assim como na tributação de mais impostos. Embora conseguindo, desse jeito, equilibrar as finanças públicas. No entanto obteve, em 2015, uma vitória eleitoral. Coisa que à esquerda não interessa explicar. Recordando-me de, já a meio do mandato, a ministra das Finanças de PPC vir dizer que os cofres do estado estavam a ficar bem recheados. E aqui é que foi o erro dele, ao não usar o golpe de asa da reposição do que havia tirado. Assim não procedeu, abrindo caminho a António Costa (AC) e aos restantes socráticos para tomarem as rédeas do poder, agarrando-se ao que o Governo anterior equilibrara para virem dizer que iriam acabar com a austeridade de uma vez por todas. E aí é que este executivo PS começou a jogar as cartas, de um viciado baralho, em que o trunfo era classificar PPC como o homem da austeridade. Ora, é nisto que AC dá a dica ao PSD de como se conseguir dar e, ao mesmo tempo, tirar sem que os cidadãos se apercebam. E o melhor desse exercício foi a recente engenharia com as reformas e os 125€ de bónus dados, até a quem não eram destinados. Porém, a imagem que fica é a seguinte: Passos tirou, Costa dá [?]. Uma falácia, só entendida por quem não cultiva ideologias, uma vez que parte das prestações sociais e salários já foram comidos pelas subidas das taxas de juros e da inflação. Porém, o brilhantismo diário da propaganda é de tal ordem que não se enxerga vivalma dentro do PS que desmascare os seus parceiros Costa e Medina e lhes diga: — “calma aí, chega de enganar os portugueses e, até, os nossos camaradas, pois estamos todos a ser afetados por esta engenhoca”. Mas sabem porque não refilam? Porque AC é generoso para com os seus pupilos em empregos, ou nomeações para cargos públicos importantes, assim como para os familiares, conjugues e amigos destes. Não havendo memória de um outro Governo que o tenha feito. E vai sendo graças a umas rabioscas – à Lei e à ética republicana – que a coisa vai medrando. Se bem que o mais escandaloso, seja o facto dessa gente celebrar contratos por ajuste direto com o Estado, auferindo de fundos europeus e dos dinheiros públicos sacados aos portugueses. Um verdadeiro regabofe de corrupção. Daí, não termos qualquer reforma de fundo no país, interessando mais tratar da vidinha dos apaniguados socialistas. Enfim, AC já diz que enquanto houver ventos e mar, ele, o Governo e o PS não vão parar. Para mais que, agora, estão empolgados com a vitória de Lula, no Brasil, auspiciando as manhãs que cantam de uma maioria e um presidente socialistas, em 2026. Pelo que há, já, quem vaticine que o próximo candidato a Presidente da República (PR) irá ser o Eng.º. Sócrates. Numa espécie de ‘lulismo’ em que poderá levar alguns capangas seus para Belém. Para isso, bastará surgir um juiz fixe que o ilibe das acusações que sobre ele pendem e, logo, toda a esquerda e algum centrão farão dele PR.      
Autor: Narciso Mendes
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7 novembro 2022