Enquanto cidadão preocupo-me com o que se escreve, diz, ou faz no nosso país. Historicamente, ao que parece, sempre tivemos crises e desafios para enfrentar e permitam-me transcreva parte de um texto de Eça de Queiroz creio de 1867, "Os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente e pela mesma razão."
Desenvolvia penso eu, o pensamento em torno da "política de acaso, política de compadrio, política de expediente…". Já então se admitia que tínhamos ministros inteligentes, que escreviam bem, discursavam com cortesia e pura dicção, faziam inaugurações, e eram excelentes convivas. Porém, dizia Eça, "são nulos a resolver crises."
Ora nos tempos que correm temos uma Constituição considerada avançada, somos defensores dos direitos do Homem e agora também dos animais, pugnamos por maior justiça social, mas logo esquecemos e desenvolvemos políticas de desigualdade, de injustiça social, de cedência perante outros poderes reivindicativos, por vezes mesmo de minorias.
E é com este cenário,com crianças por vezes mal alimentadas e velhos abandonados ou esquecidos, que corremos de novo para eleições. Já não se trata de dizer por exemplo… quem tem medo dos filósofos, gente como nós, mas que por vezes incomoda, quando aborda temas sobre política. Pelo contrário, é o cidadão comum que vive preocupado com a forma como são distribuídos vencimentos, pensões, benesses, garantias, pensões vitalícias, enquanto a celeridade prometida para a Justiça permanece no papel como letra morta, parecendo incapaz de "subir a montanha" onde estão alguns poderosos.
O sistema, digamos que tem sensores de proteção que fazem parar o tempo. O politicamente correto, o deixa andar e o faz de conta instalaram-se entre nós e parece que vale sempre o amigo que conhece o outro, conhecido do amigo. Pode ser apenas uma ideia que ouvimos na rua ou no café, limito-me a dizer o que vai sendo dito por todo o lado, mas depois de nela meditarmos, ficamos a pensar nestas ideias do povo… gente simples e sem maldade, mas a quem deram, por agora o direito de pensar!
Vamos caminhar para eleições… e são muitos os candidatos que querem o nosso voto. Pergunto porquê e para quê, se somos pequenos, pobres, endividados… e com recursos muito limitados? Sinceramente, a mim faz-me alguma confusão. E a si?
Autor: J. Carlos Queiroz
O que mudou?
DM
14 setembro 2019