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O que mais nos irá acontecer

Não está em causa se as pessoas são ou não muito habilitadas ou graduadas, se têm muitos cursos, se possuem muita cultura ou se demonstram possuir muitos conhecimentos. Não, está em causa a moral, o bom senso, a boa educação, a consciência e o caráter que se revela. A moral e o bom senso têm como pilares os valores adquiridos na família. A partir desta importante célula da sociedade é que são geradas as bases para uma boa educação, socialmente virtuosa. A consciência tem o contributo incomensurável da moral, do bom senso e da educação adquiridos em família, como referimos, e o aperfeiçoamento, eventualmente obtido, das aprendizagens nas Escolas, quer sejam de âmbito técnico-científico, de ciências humanas ou religiosas. Depois, o curso da vida molda mas nunca altera significativamente a consciência, cuja dimensão não pertence apenas ao mundo fenomenológico mas mais ao subconsciente. O caráter é a expressão da consciência de cada pessoa Humana, em liberdade, com responsabilidade e, tanto melhor, com autoridade. Vivemos em Portugal alicerçados em quatro verdades: a mentira quase sempre na base das palavras e do agir político; governação à vista, tendo como principal objetivo a popularidade; ação política governativa em que não se assumem as responsabilidades, sendo esta ou de terceiros ou dos portugueses; e os sacrificados da mesma ação política são sempre os mesmos, os portugueses, principalmente os que não pertencem às elites do poder. Uma democracia moderna deveria caracterizar-se por ter uma governação transparente, responsável e sempre na via do bem comum, ter um poder judicial independente e célere, proporcionar a todos os cidadãos a prática da liberdade de ensino e de expressão e possuir uma comunicação social independente e não manietada, boa parte, por subsídios do Estado. Independentemente da fé e da ideologia política de cada um, o bom senso faz parte do nosso caráter. Aos nossos políticos deveria recomendar-se, pelo menos, que estudassem um pouco mais, nomeadamente, “Teoria do conhecimento” e algum “Ensaio sobre o entendimento humano” para melhor serem dotados de algum bom senso. É verdade que aquelas são matéria complexas, no entanto há duas realidades, entre outras, a vida e a liberdade que constituem, por ordem de grandeza, dois valores fundamentais em cada ser Humano. Diz-nos o tal bom senso que sem o primeiro valor, a vida, nem sequer há Ser (físico). Pode haver vida sem liberdade mas nunca há liberdade sem vida. Logo, o valor da vida é absoluto, é inviolável. Mais inviolável se torna quando solicitado a um terceiro que, não sendo o detentor da vida em causa nem da liberdade alheia, lhe pedem para findar uma vida. Terceiro que, os mesmos não dotados de bom senso, consideram ser da sua responsabilidade final tal ato, quando o mesmo deve a sua existência, como médico, à proteção da saúde em defesa da vida Humana!

Qual a moral ou a autoridade dos nossos governantes e políticos quando ao mesmo tempo que decorria um confinamento, para o salvamento de vidas, face a uma terceira vaga da pandemia, em nome de um valor inferior à vida, a liberdade, aprovam a “lei da eutanásia”, ou morte livre ou a pedido, para a qual concebem seja executada pelo referido terceiro, médico, defensor da vida, mas a assumir a responsabilidade de carrasco! Sabemos que, desde a antiguidade grega, o exercício da política era aconselhável aos sábios ou a Homens bons com caráter. Para as sociedades complexas dos nossos dias um político, quando na função de governante, deveria ser valorizado pela seriedade, pelo agir mais em função do futuro e pela capacidade de previsão e antecipação aos eventuais acontecimentos. Infelizmente não é isso que se tem verificado em Portugal. Somente três exemplos para constatar da deficiente governação portuguesa. Depois de ocuparem partidariamente a Proteção Civil e alterarem a política de combate aos fogos florestais, as tragédias dos incêndios de 2017, causam a morte de cerca de 120 pessoas indefesas, o que nunca antes acontecera. Não, a responsabilidade é dos que nos antecederam, é dos proprietários das florestas! No decorrer do ano de 2020, um cidadão ucraniano é assassinado, pelo que se ouve da acusação, por agentes do Estado. Ao que se relata, tentaram menosprezar o esquecimento. Não, os problemas já vem de trás, vamos reorganizar (só agora...) o Serviço em causa! A pandemia, Covid-19, não é da responsabilidade dos nossos governantes mas providenciar para atenuar os seus efeitos é das suas primeiras obrigações. Na primeira vaga, muito bem, Portugal teve sucesso. Já em 2021, devidamente avisados, depois de ideologicamente diabolizarem o setor privado de saúde e os seus lucros, como se não competisse ao Estado fiscalizá-lo e como se os profissionais de saúde no setor público trabalhassem sem dinheiro, surge a referida terceira vaga da pandemia. Portugal, tragicamente, conquista o primeiro lugar no número diário de mortos (mais de 300), face à sua população. Então, os dois primeiros responsáveis políticos pela saúde em Portugal, detentores de duvidosa autoridade, por antes não terem feito tudo o que deviam com os mesmos e nem só, em aparente propaganda política, com as televisões atrás, apresentam-se a visitar, em Lisboa, um Hospital privado! Lamentavelmente, sendo assim, porque factos são factos, interrogamo-nos, o que mais nos irá acontecer!..


Autor: Abel de Freitas Amorim
DM

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9 março 2021