twitter

O Mistério Pascal da Redenção

Neste momento em que, de modo especial, nos preparamos para celebrar o Mistério Pascal da Redenção, Mistério sublime e central da nossa Fé!..., é útil e oportuno rever para refletir e aprofundar na riqueza incomensurável que encerra. O Homem, criado à imagem e semelhança de Deus, era templo vivo de Deus. Com a “queda” – o pecado original – esse templo foi destruído, mas a Sabedoria de Deus, já havia traçado um plano para a reconstrução – O Mistério da Redenção… Que diz respeito a todos e a cada um de nós, pois através dele, as Portas do Céu, fechadas pelo pecado, foram reabertas para toda a Humanidade. Jesus abrindo os seus braços sobre a Cruz e nela morrendo, abriu-no-las novamente e para sempre… Diz, a propósito, o Catecismo da Igreja Católica: “Nisto consiste a Redenção de Cristo: ‘Ele veio dar a sua vida em resgate por muitos’ ( Mt 20,28 ), isto é, “Amou os seus até ao fim” (Jo 13, 1). Um mistério de amor e salvação! Amor que impeliu Jesus até ao sacrifício de si mesmo para a plena glorificação de Deus e o resgate dos homens, reconciliando-os com Deus. Escreve o Papa polaco, João Paulo II: “No Gólgota, Cristo fez da sua própria vida uma oferta de valor eterno, uma oferta ‘redentora’, que reabriu para sempre a estrada da comunhão com Deus, interrompida pelo pecado” (S. João Paulo II, 2000, disponível em www.vatican.va). Com esta breve reflexão sobre o Mistério Redentor de Cristo, fica claro que por meio do Seu Filho, Deus renova a sua aliança de amor outrora realizada na Criação. Assim, o Deus Criador torna-se também o Deus Redentor, em Jesus Cristo, e o homem reencontra a grandeza e a dignidade da humanidade criada para a comunhão com Deus. Deste modo, a Redenção Humana realizada por Jesus Cristo, é uma iniciativa da bondade e da misericórdia de Deus. Ele quis propor a Salvação ao homem… Na Constituição Dogmática, Dei Verbum, encontramos claramente esta iniciativa divina: “Aprouve a Deus, em sua bondade e sabedoria, revelar-Se a Si mesmo e tornar conhecido o mistério da sua vontade, pelo qual os homens, por intermédio de Cristo, se tornam participantes da natureza divina”, (DV2). Assim, “o Mistério Pascal da Cruz e da Ressurreição de Jesus Cristo está no centro da Boa Nova que os Apóstolos e todos os cristãos, na esteira deles, devem anunciar ao mundo. O projeto salvador de Deus realizou-se “uma vez por todas” pela morte redentora de Seu Filho, Jesus Cristo” (Cat. Ig. Cat.& 571). S. Paulo diz-nos: “fostes comprados por alto preço…” . Assim, a Redenção continua a fazer-se no dia a dia, “cada vez que se celebra no altar a Santa Missa que torna presente o Sacrifício da Cruz, pelo qual se imola Cristo nossa Páscoa, e realiza-se a obra da nossa redenção” (Conc. Vat. II, Lumen gentium). Deste modo, cada Missa, possui assim um valor infinito; os frutos em cada pessoa dependem das disposições pessoais. Realiza-se também a Redenção, de modo diferente ao que foi dito sobre a Missa, em cada uma das nossas conversões interiores e quando recebemos bem preparados e com piedade cada um dos Sacramentos, que são como “canais da graça”… A propósito do Sacramento da Reconciliação, o Papa Francisco pede a todos: “Com convicção, ponhamos novamente no centro o Sacramento da Reconciliação (a Confissão), porque permite tocar sensivelmente a grandeza da Misericórdia Divina, tornando-se, para cada penitente, fonte de paz interior”. Querendo dizer que a Confissão deverá estar no centro da vida da Igreja, de cada cristão, como um empenho primordial dos confessores e dos fiéis em geral. Por tudo isto, o Santo Padre, o Papa Francisco convida com veemência à conversão: Diz: “este é o momento favorável para mudar de vida! Este é o tempo de se deixar tocar o coração… Deus não se cansa de estender a mão”… E insiste em que Deus, com infinita Misericórdia, oferece ao pecador “uma nova possibilidade de se arrepender, converter e acreditar”… para perdoar! Em síntese: A Redenção realizou-se uma só vez, mediante a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, e atualiza-se agora em cada homem, de um modo particularmente intenso, quando participa intimamente do Santo Sacrifício da Missa!
Autor: Maria Helena Marques
DM

DM

8 abril 2020