Num dos célebres comentários de José Mourinho, o técnico português referiu que sugeria que os jovens se dedicassem aos estudos e não à adulação de jogadores de futebol, dado que, segundo este, muitos deles são lixo. Eu acrescentaria: o mesmo se passa relativamente a muitos dirigentes e a alguns treinadores.
Com efeito, os exemplos a que temos assistido, ano após ano, são demonstrativos de uma absoluta incapacidade para se pôr a casa em ordem.
Da parte de sucessivos governos, que deviam pautar pelo bom funcionamento das Instituições, o que se tem verificado é um constante assobiar para o lado e uma subjugação completa ao poder do futebol. É sua função zelar para que os princípios de sã convivência, de cumprimento das regras e transmissão de valores as novas gerações, não sejam completamente subvertidos. O que não acontece, havendo mesmo o mau exemplo.
Aos dirigentes, cabe-lhes ter uma postura e atuação de defesa dos interesses das Instituições que dirigem, mas agindo sempre dentro da legalidade e do respeito pelos adeptos e pelos adversários.
Aos treinadores e jogadores, é obrigação, enquanto principais intervenientes, ter comportamentos dignos e que sejam efetivamente um exemplo para tantos e tantos jovens que (correta ou incorretamente) os idolatram e seguem.
Aos adeptos cabe também a responsabilidade de ter um nível de exigência superior, não permitindo (com a passividade) que o futebol se transforme num espetáculo pouco ou nada atrativo, com cenas deploráveis e numa constante guerrilha dentro e fora das quatro linhas.
O que se verifica dentro do campo é um futebol feio, com muitas faltas, inúmeras simulações, pouco tempo útil de jogo, e a culminar comportamentos inadmissíveis por parte dos jogadores perante adversários e equipas de arbitragem.
Este comportamento, dentro de campo, e os inúmeros incidentes fora dele, são o resultado de uma cultura que está instalada pela classe dirigente que temos, de ameaça e intimidação, pois desta forma tentam desviar as atenções das enormes atrocidades que têm cometido nos clubes que gerem, fruto da sua incompetência, da desonestidade e da falta de transparência.
Os dirigentes dos órgãos que tutelam o futebol português não têm capacidade nem coragem para infligir severas punições a quem, constantemente, tem contribuído para que não exista paz no futebol, e que a nossa reputação, por esse mundo fora, seja miserável, como é disso exemplo o clássico disputado entre o FCP e o SCP, onde todos estes maus exemplos se encaixam na perfeição.
A falta de respeito entre os agentes desportivos é constante, e o sentimento de impunidade é grande, pois as consequências face aos atos nunca são proporcionais à sua gravidade.
Do meu ponto de vista, só vislumbro uma solução para resolver esta situação, que é a reflexão profunda dos sócios dos clubes sobre a continuidade desta classe dirigente que, não obstante terem permitido o progresso desportivo dos clubes, há muito não se encontra em condições de dar o seu contributo para a pacificação do futebol. Os sócios têm ao seu alcance uma arma poderosíssima, o voto, e que permitirá varrer o lixo de uma vez por todas.
Assim o entendam.
Autor: João Gomes
O lixo é para varrer… de uma vez por todas!
DM
17 fevereiro 2022