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O efeito “melaço”!

Tal como o urso Tinzinho dos pés rombos, de uma historinha infantil, que adorava ‘melaço’ até que um dia lambeu tanto, tanto, que ficou enjoado, é como eu me sinto, depois desta última Campanha Eleitoral e dos debates-relâmpago na televisão: farto por uns tempos! Isto, para não dizer nauseado, por tanta verborreia que alguns dos candidatos vomitaram na defesa do que propunham para o país.

É que se os da esquerda acenavam com benesses sociais a curto prazo – mesmo dentro de um país endividado –, já os da direita abstinham-se delas. Isto, por não se conseguirem abstrair do rombo que os socialistas deram às Finanças Públicas no consulado socratista, de tal ordem que só restava dinheiro para pagar um mês de salários e pensões. E se a economia estagnar, é o que poderá voltar a acontecer. Se há quem não ache, leia a mea-culpa que o ex-ministro das finanças de Sócrates, Teixeira dos Santos, faz no seu recente livro: “Portugal, com a atual falta de crescimento nem daqui a 290 anos convergirá com a União Europeia (EU)”.

Com efeito, ainda me lembro dos ‘governantes-abelhinhas’ do deposto ‘fascismo(?)’ que deixaram o país a crescer a bom ritmo, sem dever um cêntimo e com uma das maiores reservas de ouro mundiais, cerca de 865 toneladas (t.), no Banco de Portugal. Para, logo a seguir à revolução, virem os camaradas e os companheiros governantes e delapidarem 483,3 t. dele. E é uma sorte ainda haver algum. Isto, depois de ter sido criada uma despesa pública astronómica em cargos políticos e empregos no Estado.

Também do ‘Cavaquismo’ ficaram fundos europeus e alguns milhões, da sua governação, para uma hipotética necessidade. Porém, logo viria o ‘Guterrismo’ para tudo distribuir, deixando o país num ‘pântano’. Não, sem chegar o ‘Durãosismo’ – cujo titular voou para o eldorado europeu – sucedendo-lhe o ‘Socratismo’, que gastou tanto, que levou o país à beira da ‘bancarrota’. Um feito de que só os socialistas têm sido capazes.

Ora, é por demais sabido que o povo português ao ver tanto ‘rapinanço’ de dinheiro, do país, também queira algum dele. Já que quem lho não prometer arrisca-se a perder eleições. E Rui Rio e o PSD sabiam disso. Só que lá com a mania de quererem parecer mais sérios e frugais do que os outros, não quiseram arriscar dar um cheirinho de aumento no salário-mínimo, nas pensões e reformas mais miseráveis. Ficando, desta feita, a ver o poder por um canudo. Ou seja, preferiram ser ‘fel’ em vez de ‘mel’, ao não alinharem nessa promessa doce de fazer crescer água na boca aos reformados.

Está visto que é com a doçura da distribuição e dos direitos, que se caça o eleitorado português. Pois o que este não quer, de forma alguma, é que lhe venham dizer que tenha paciência e que não há aumentos nem subsídios para ninguém; nem ter de voltar a ouvir o célebre “aguenta, aguenta”. Ou seja, assistir ao despachar de dinheiros públicos – para tudo quanto é CGD, TAP, NB, CP, etc. assim como para desfalques dos de Rendeiros e quejandos – e nada ver a seu favor.

Foi no acentuar da tónica da forretice (só dar se o país crescer) que Rio e o PSD claudicaram, perdendo a oportunidade de afastarem a presente receita tipo ‘venezuelana’ do país. Enquanto o PS e o seu líder, António Costa, ao exibirem a bazuca e o cheque para tudo que do Estado (por má gestão) dê prejuízo que venceram, de forma convincente, as últimas legislativas. Ele, que é uma espécie de raposa política de sete manhas, das trocas e baldrocas e da mentira, mas, segundo perece, bem aceite pela maioria dos que votaram PS.

Ao obter maioria absoluta, Costa e a sua guarda pretoriana deixaram de ter que abrir o pote das ilusões para darem ‘melaço’ do socialismo, às colheres, ao BE, PCP/PEV, PAN E LIVRE. Enquanto o PSD e Rio, foram uma espécie de laranja azeda, ao permitirem que o Chega e a Iniciativa Liberal lhe roubassem a clientela. Já Chicão, de tanto atacar estes dois, conseguiu varrer o CDS da ala direita do Parlamento.


Autor: Narciso Mendes
DM

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7 fevereiro 2022