A Europa assiste, atónita, ao que se passa na Ucrânia, com a declaração de independência dos estados de Donetsk e Lugansk, e o seu reconhecimento e invasão pela Rússia, com violação do Direito Internacional.
No entanto, para a Rússia, o facto do não reconhecimento do Direito Internacional dos seus atos não tem qualquer importância para a sua política de violação da soberania de estados como se percebeu pela anexação da Crimeia. Aliás, a anexação deste território pela Rússia não tem qualquer reconhecimento internacional, nem mesmo pela China o que, para aquele estado opressor, é “igual ao litro”.
Como já se percebeu, a palavra de Putin de nada vale, uma vez que na véspera da anexação da Crimeia, este antigo dirigente da KGB e sucessor de Ieltsin afirmou, a pés juntos, que a Rússia não a iria invadir.
Não vale a pena ter ilusões com as pretensões da Rússia: o seu objetivo final é ter, no mínimo, o mesmo sistema de domínio que tinha sobre os mesmos países antes da queda do Muro de Berlim. A ideologia para os dirigentes do Kremlin, terá mudado mas as pretensões totalitárias mantêm-se inalteradas.
Aliás a Rússia, depois de 1945 até 1992, fez com mais eficácia, o que a Alemanha de Hitler quis fazer com a Europa, originando igualmente milhões de mortos e sofrimentos atrozes, violando a soberania de estados, empobrecendo milhões de pessoas e instalando a ditadura comunista tão apreciada pelo PCP e pelo Bloco de Esquerda.
Só por isso não entendo como é que a nossa democracia não eliminou, há anos, todos os partidos comunistas como o PCP e o Bloco de Esquerda que, mais veladamente, ou mais abertamente, se sustentam numa ideologia que serviu de base também às dimensões imperialistas da Rússia no séc. XX.
Aliás, o comunismo, amplamente derrotado no SEC. XX, aparece hoje nos partidos mais à esquerda do espectro político português com uma nova falsa faceta, neocomunista, onde pretendem exatamente os mesmos objetivos fracassados do séc. XX, mas agora sem a ditadura do proletariado, sem a revolução e sem a luta de classes.
O ódio ao lucro, a ideologia do género, a perseguição com impostos a tudo que é privado, a defesa dos serviços públicos até ao limite sem critérios de eficácia e eficiência, a diminuição da riqueza para originar menor possibilidade de escolha à pessoa e deixá-la dependente apenas dos serviços do estado, são exemplos de algumas das atuais facetas neo comunistas do séc. XXI defendidas pelos dois países da nossa esquerda mais extremista.
Aliás, o silêncio do PCP e dos igualmente comunistas do Bloco de Esquerda é notório até pelos debates televisivos de Joana Mortágua de permanente desculpabilização – e vassalagem – às pretensões da Rússia, com o objetivo de diminuírem o alcance de uma sociedade livre, com independência de pensamento, autonomia individual, igualdade de oportunidades e privilegiar o desenvolvimento económico como condição indispensável para a criação de corretas políticas sociais.
A cidade de Braga tem a obrigação de, através dos seus órgãos representativos, dar o seu apoio aos cidadãos ucranianos contra o imperialismo dos dirigentes russos. Aliás, que fique bem vincado que os cidadãos russos são vítimas das atitudes despóticas dos seus dirigentes e são igualmente merecedores de consideração e não devem ser confundidos com estes.
Temos em Braga uma comunidade ucraniana, acarinhada desde sempre pelo nosso município, perfeitamente integrada, trabalhadora, que ama viver na nossa cidade, com a preservação dos seus hábitos, tradições, religiosidade e cultura, mas ao mesmo tempo perfeitamente ligada aos nosso valores e culturas e que conhece, como muitos povos dos leste europeu, o horror totalitário e comunista.
Estas pessoas de origem ucraniana, muitos deles já portugueses e, como afirmou o Presidente da Câmara, também bracarenses, merecem, pelo seu contributo à vida da nossa cidade, de uma consideração e apoio especial nos dias de hoje por parte da cidade, quer dos poderes municipais, quer da da nossa população.
Braga terá de fazer a sua parte para com as pessoas de origem ucraniana com o apoio a comunicações, na possível receção de familiares das zonas de conflito, no apoio psicológico económico e social aos nossos ucranianos bracarenses.
Autor: Joaquim Barbosa