Claro que eu acredito que estamos a deteriorar o ambiente, acredito nisso mas… encontrei um texto de Júlio Verne, o escritor profeta, que me deixou interrogativo. Se muitas das suas visões se vieram a concretizar porque na verdade se trata de alguém que viu para lá do seu tempo, o texto que vou aqui reproduzir deixa-me intrigado, se não mesmo apreensivo. Ora então observemos: (…) a precessão dos equinócios, combinada com o movimento secular do eixo maior da órbita terrestre, deverá modificar a longo período a temperatura média dos diferentes pontos da Terra e nas quantidades de gelo acumulada nos dois polos.” Estamos a referenciar um escritor de século XIX, quando ainda se não falava em poluição, efeito de estufa, buraco negro, ozonos ou aquecimento global. Pois este francês, se vivesse hoje, talvez nos dissesse que as mudanças climáticas que estamos a experimentar, não se devessem todas à poluição das fábricas e ou automóveis, porque no seu tempo nada disto existia e ele previu as mudanças climáticas e o degelo polar. Se este escritor profeta foi capaz de imaginar as “Vinte mil léguas submarinas, em tempos em que ainda não existiam submarinos, se foi capaz de escrever Da Terra à Lua e ainda não existiam foguetões nem a NASA, se foi capaz de imaginar um A Volta ao Mundo em 80 dias, e ainda não tínhamos comboios expressos ou automóveis, como não acreditar num homem que previu tudo isto numa ousadia que à altura foi considerada utópica? Como posso não acreditar que as mudanças climatéricas que vamos experimentando se devem a fenómenos de dinâmicas determinadas por relações de rotatividade da Terra e movimentos retrógrados equinociais? Não sei até que ponto Júlio Verne percecionou esta relação, mas tenho crença que o fez com conhecimento de causa que as revistas de então publicaram e deram crédito. Isto não quer dizer que não tenhamos a nossa quota-parte do que se está a passar quanto a verões cada vez maiores e mais quentes, e cheias cada vez menos previsíveis e catastróficas, mas significa que temos dúvida que a nossa ação predadora do clima, seja única nesta questão. É que nós somos tão pequenos perante a imensidão do universo que, segundo alguns, pode estar ainda em expansão, que me parece pouco provável que a nossa bugalha possa estragar, de uma forma tão absoluta e radical ou mesmo irreversível, o ambiente do planeta Terra. Tenho esperança que o universo dê um dia a resposta e todos juntos estaremos perante uma realidade diferente do que hoje, a ciência da moda, nos diz. Júlio Verne fala-nos da modificação do clima a longo prazo e aqui talvez a nossa poluição diminua o tempo, isto é, tornando o tempo mais breve; depois fala-nos na quantidade de gelo acumulado nos polos, e estamos a observar o degelo, mas se isto era uma previsão de Júlio Verne, não era, certamente, causada pela poluição da industrialização do seu tempo porque não existia. Talvez tenhamos de nos convencer que, mesmo sem a nossa ajuda, o clima está a mudar. E isso é que é dramático.
Autor: Paulo Fafe