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O carro à frente dos bois

Da ideologia (teoria) à práxis (prática) vai uma considerável distância, difícil de encurtar e, quase sempre, impossível de vencer; e a prova está, por exemplo, no marxismo e seus resultados práticos alcançados nos países que o adotaram ou ainda adotam. Assim, quando se põe a ideologia à frente do povo, o resultado é idêntico a quando se põe o carro à frente dos bois; o que, em termos práticos, se traduz neste axioma: nem os bois puxam, nem o carro anda, ou mais prosaicamente, não se vai a lado nenhum. Apliquemos, agora, tal conceito à prática política de um país e concretamente a uma determinada atividade: quando, por exemplo, nos serviços de saúde se põe a ideologia à frente do utente, como com o carro à frente dos bois, tais serviços não cumprem ou cumprem mal o fim para que foram criados e os doentes sofrem-lhe as consequências e igualmente o mesmo acontece na Educação, na Economia, na Segurança Social ou na Justiça. Vejamos, pois, o que sucede atualmente no Serviço Nacional de Saúde (SNS) onde abundam os constrangimentos, as contradições, as carências de vária ordem e escasseiam a eficácia e organização necessárias; e a marca evidente está nas greves constantes de médicos e enfermeiros, na falta de meios financeiros, humanos e instrumentais, de medicamentos, na longa lista de espera para consultas, exames e cirurgias. Apoiada pelo Partido Socialista (PS), pelo Bloco de Esquerda (BE) e pelo Partido Comunista Português (PCP), a geringonça que António Costa, para ser primeiro-ministro, engendrou e funciona de Governo apostado em estatizar tudo que mexa, tem os obuses apontados aos serviços de saúde privados com vista à criação de dificuldades ao seu normal funcionamento no que concerne, sobretudo, aos sistemas de comparticipações e convenções aos seus utentes. E, aqui reside a prova cabal da ideologia à frente do povo que acaba por ser a vítima inocente desta política de interesses pessoais e de grupo; e que tem feito a práxis de alguns partidos políticos do nosso sistema democrático que bem pregam a liberdade, a igualdade e a saúde para todos, mas não as praticam quando governam. Vejamos, um exemplo: o Hospital de Braga que é gerido por iniciativa privada, fruto de uma Parceria Público-Privada (PPP) com sucesso reconhecido, corre o risco de ser extinta, porque, assim, quer a geringonça com a força da sua ideologia de esquerda e extrema-esquerda e que, naturalmente, ataca e luta pelo fim dos privados no SNS, apesar do seu funcionamento exemplar, como o comprova com um custo doente-padrão mais baixo e uma eficácia de serviços a merecer as melhores classificações, tem o Hospital de Braga os dias contados, porque tudo isto incomoda a geringonça. Pois bem, já de algum tempo a esta parte que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, tem vindo a alertar e a sensibilizar todas as forças políticas para a necessidade de que haja um amplo consenso nacional para a reforma da Lei de Bases da Saúde que a geringonça está apostada a pôr em marcha sozinha; e ameaça mesmo com o veto ao diploma que lhe chegar às mãos se esse consenso político não for alargado e alcançado. E os seus argumentos para tal veto são compreensíveis e respondem aos interesses nacionais, pois têm por base a razão óbvia de que o país, no que às reformas estruturais diz respeito e necessário é que sejam feitas, não pode depender, seja na Saúde, na Educação, na Justiça, na Segurança Social ou na Defesa Nacional da dança do cai-governo-sobe-governo ou seja não pode estar à mercê das ideologias de quem legisla ou governa, ora à esquerda, ora à direita, pois, estando estas à frente do povo, dos seus interesses, necessidades e carências, que no caso é a geringonça, sempre se tomam prejudiciais para a uma governação justa e universal. E que é, pensando bem, o que tem acontecido neste nosso sacrificado país, onde abundam as ideologias e escasseiam os pragmatismos; isto é, não temos tido os verdadeiros estadistas que coloquem o país e o povo à frente e sempre acima da ideologia. Então, até de hoje a oito.
Autor: Dinis Salgado
DM

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13 fevereiro 2019