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O amanhã da esperança

Creio que estávamos em 2016, quando o embaixador da França em Washington, Gérard Araut, escreveu no tweet qualquer coisa como: "Depois do Brexit, depois de Trump, tudo é possível: um mundo está a desmoronar-se diante dos nossos olhos.Vertigem!".Talvez não seja assim tão grave a situação, pois na verdade sempre vivemos com alguma instabilidade no mundo, isto lembrando a competição política, estratégica e ideológica, as grandes potências, os gastos com a defesa em diversos países, a concentração de poder sem precedentes que marca a passagem da divisão bipolar da Guerra Fria, onde esteve aparentemente em causa apenas o primado da política internacional. A luta pelo poder tem dominado os acontecimentos ao longo da história, onde Estados Unidos, China e Rússia têm sido principais protagonistas. A chegada recente da Pandemia veio mais uma vez, demonstrar a fragilidade humana em questões que não incluem poderio bélico, sendo um sinal algo inesperado que abalou as grandes potências mundiais, influenciando um conjunto de novas políticas e procurar soluções, num outro contexto económico e social. A Europa também entrou na corrida à procura de soluções que façam renascer a esperança, hoje o mundo procura investir cada vez mais para conseguir rapidamente uma vacina. Pelo menos aparentemente, todos se preocupam com a saúde, mesmo como forma de proteger a economia e garantir o emprego de milhões de cidadãos. Perante uma preocupação coletiva, a resposta tinha obviamente de incluir todos os países. Mesmo assim, parecendo competirem para obter primeiro a solução e dessa forma obter supremacia económica. Se este cenário preocupa, a esperança numa vacina no curto prazo anima mesmo os mais pessimistas, que alimentam a esperança duma vacina no princípio do próximo ano. E nós portugueses que fazemos? Algumas medidas foram tomadas, mas nem sempre acompanhadas de esclarecimentos e alertas convenientes, de tal forma que Agosto veio assustar-nos obrigando mesmo a um passo atrás. Mesmo assim, continuamos preocupados com notícias de apoio a candidaturas no futebol, a pequenas coisas acessórias e não fundamentais. A questão da abertura das escolas, das instituições, dos Lares… tem sido muito falada, mas receio sem dar garantia de condições ideais para combater o perigo de contágio. Vamos entrar num período complicado, neste regresso à normalidade em defesa dos postos de trabalho e da economia, embora todos garantem que a prioridade é a saúde. A ver vamos e oxalá o amanhã seja de esperança.
Autor: J. Carlos Queiroz
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24 setembro 2020