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Ni ocho, ni ochenta...

Quando, emotivamente, o presidente da Câmara Municipal de Braga afirma que “Braga é palco do melhor Natal de Portugal”, certamente fá-lo com o coração de espírito natalício e com um sentimento bairrista de líder representativo da comunidade bracarense, aos olhos de uma época fraterna, onde todos, sem excepção, procuram dar o seu melhor, no tocante às festas de natalícias que se fazem sentir por todo o país em pequena, média ou grande escala, de acordo com os orçamentos disponíveis.

Comecemos por reconhecer que a cidade dos arcebispos se aprontou, a tempo e horas, na sua moldura ornamental, distribuída pelas principais artérias da cidade, embora um pouco resiliente às novas tecnologias do design imperativo e alocado à grafia contemporânea dos adornos às festas populares.

Talvez a imaginação decorativa tivesse outro efeito mais contemplativo nas ilustrações figurativas da representação da natividade, como peças marcantes e anímicas na memória visual das nossas crianças e incremento motivador dos mais velhos, proporcionando-lhes as belas histórias do nascimento do Menino Jesus as origens do “Papai Noel”

Além da presença do pinheiro “plantado” na Praça José Veiga, por ironia, formatado quase igual por este país fora, constata-se, para além da iluminação fortemente lustrada ao branco pálido, a ausência inexplicável nas ornamentações da cidade, algo mais comovente, ou afectuoso, e essenciais na personalidade do Pai Natal ou o protagonizado presépio, pilar central desta fantástica época comemorada pelos cristãos e muitos não cristãos.

Obviamente que é compreensível que Ricardo Rio esteja a puxar a “brasa para a sua sardinha”, ao classificar o natal em Braga como o melhor do país. Portanto, como apregoam os nossos hermanos espanhóis, “ni ocho, ni ochenta”, se levarmos em linha de consideração o acesso e a análise a outras programações festivas alusivas ao natal em cada região, cidade ou pequena localidade e, naturalmente, cada uma ao seu estilo da grandeza que representa para os seus residentes e visitantes, reclama o título desse mérito invencível.

A capital do Minho tem evidenciado uma programação de natal atrativa, ambiciosa, dinâmica e muito forte na captação turística nacional e internacional, com especial relevo para a forte presença de cidadãos oriundos de Espanha, oferecendo-lhes momentos ímpares de animação de rua, através de desfile artístico composto por 600 figurantes, a tradicional “fogueira de natal” e o já carismático e saboroso “bolo-rei gigante” degustado ao paladar do moscatel pela forte concentração de milhares de pessoas presentes num patrocínio oferecido pelo ramo empresarial das pastelarias da cidade de Braga.

Destaca-se ainda, para além das actividades lúdicas como vector cultural, social, religioso e desportivo, um ambiente solidário misturado por um excêntrico e habitual consumismo guardado para a última hora, um primor da grandeza de uma cidade imparável que se tem afirmado, nestes últimos anos, como uma região esplendorosa, cada vez mais desenvolvida social e economicamente e considerada já a terceira cidade maior cidade do país.

Paradoxalmente, e sem estigmas, não se percebe bem a singularidade da mensagem das ornamentações, possivelmente “incomensuráveis” visíveis pela cidade, constituídas por um latão de formatos bizarros, nada condizentes com a maravilhosa comemoração natalícia, movedora de um sentimento solidário, de convívio apelativo à paz e de fraternidade humana...

Talvez, esperemos que sim, no próximo ano, o presidente Ricardo Rio exare a sua vontade de marcar, com maior intensidade ilustrativa nos adornos de natal na cidade de Braga, a presença justa e bonita do presépio com forte impacto pelas artérias da urbe bracarense.


Autor: Albino Gonçalves
DM

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11 dezembro 2017