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Que tem a Igreja para oferecer? A pergunta pode parecer um truísmo, mas, frequentemente, a resposta não avulta com muita nitidez.
A Igreja tem para oferecer ao mundo Jesus: o Jesus do Evangelho e o Evangelho de Jesus.
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O problema é que – alegam alguns –nem sempre é isso o que mais se ouve nem o que mais se vê.
Em tal caso, que levará as pessoas a sair da sua rotina (ou de seu conforto) para uma celebração, uma reunião ou qualquer outro género de encontro?
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Se a situação já vinha emergindo há algum tempo, com as restrições da pandemia, ela tende a agudizar-se.
Não falta quem pergunte: que vou fazer a uma igreja?
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A Igreja existe para anunciar. A estrutura fundamental do seu anúncio é o mistério pascal: Paixão, Morte e Ressurreição de Criso. É a concatenação entre estes momentos que configura a diferença cristã.
Se Cristo não ressuscitou — como já advertia São Paulo —, é vã a nossa fé (cf. 1Cor 15, 14). Sem a Ressurreição, só poderíamos dizer que Jesus viveu. É porque ressuscitou que proclamamos que Jesus está vivo.
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É Jesus que nos faz viver. É Jesus que nos leva a sair de casa (aos que podem e com as devidas precauções),
É Jesus que nos motiva a celebrar os mistérios e a testemunha-los na existência.
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Acontece que tudo isto tem de ser dito, anunciado, ensinado e, nessa medida, apr(e)endido.
Uma Igreja «docens» é inseparável de uma indispensável Igreja «discens». Só pode ensinar quem se dispõe a aprender.
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Estes tempos difíceis podem converter-se também em tempos providenciais se estivermos dispostos a exercitar mais a dimensão discente da Igreja.
É hora de reapreender o essencial da fé para a testemunhar junto das pessoas.
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Estes são sobretudo tempos de aprendizagem, de escuta, de oração e de uma certa quietude contemplativa.
É vital que — neste momento difícil — acolhamos o que o Espírito quer dizer à Igreja (cf. Ap 2, 7).
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Será que uma época diferente reclama de nós apenas o mesmo? Uma «Igreja confidente» (que escuta) é o suporte imprescritível de uma «Igreja conferente» (queanuncia).
Maria não Se destaca tanto pela palavra proferida com os lábios como pela palavra pronunciada com a vida. Daí que, enquanto Mãe da Igreja, Ela seja paradigma do que há-de ser a Igreja Mãe.
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Com Maria, a Igreja reaprenderá a constituir-se sempre como comunidadeorante e, simultaneamente, como comunidade fraterna.
Com Maria, cada membro da Igreja há-de procurar ser, ao mesmo tempo, «homo Dei» (homem de Deus) e «homo hominibus» (homem para os homens)!
Autor: Pe. João António Pinheiro Teixeira