Temos o hábito de não reconhecer e valorizar as nossas capacidades em todas as vertentes da vida, persistindo a ideia bacoca de admirarmos e importarmos o que não é de origem nacional.
O padre jesuíta João Vila-Chã, docente universitário de Filosofia Social e Política na Universidade Pontifícia Gregoriana, em Roma, é o primeiro cidadão português a granjear com todo o mérito a 11.ª edição do prémio internacional de filosofia Karl-Otto Apel, criado por Michelle Borrelli.
Ainda recentemente, a jovem médica oftalmologista Inês Laíns, a trabalhar no Massachussets Eve and Ear Hospital, nos Estados Unidos, recebeu um prémio da Universidade norte-americana de Harvard, pela publicação do melhor artigo científico alusivo à perda de visão com o evoluir da idade, nomeadamente apresentando uma inovadora tese de pesquisa dos novos diagnósticos sobre a “degenerescência macular relacionada com a idade, estudando a rapidez com que o olho se adapta ao escuro”.
A criatividade e a atividade científica dos portugueses espalhados por todos os cantos do planeta só prestigiam o nome e a imagem do país que representam.
Outros exemplos entre muitos conterrâneos com sucesso fora de Portugal, como futebolistas, neurocientistas, banqueiros, arquitetos, médicos, investigadores, empresários, etc., são a nomeação de António Simões para presidente do banco HSBC; Sara Sampaio, como modelo na “Victoria’s Secret”; ou o doutorado Pedro Gandanho, curador da Arquitetura Contemporânea no Museu de Arte Moderna (MoMA), nos Estados Unidos.
O prémio recebido pelo barcelense padre João Vila-Chã desafia os grandes pensadores à profundidade dos estudos sobre o cenário problemático da ética no mundo atual, como uma escolha de cultivar o bem contra a desigualdade social, económica, dignidade qualitativa e bem-estar de vida.
Pelas contas do Instituto Nacional de Estatística (INE), há aproximadamente dois milhões e quinhentos mil portugueses emigrados, sendo a faixa etária mais elevada entre os 15 e os 39 anos, habilitados com níveis académicos elevados, sem dificuldades comunicacionais e apostados em afirmar-se pelo seu trabalho.
O padre João Vila-Chã faz parte de um rol de portugueses radicados fora de Portugal, como um “protão” de uma pequena comunidade científica portuguesa, que pela sua investigação pode proporcionar um mundo melhor, mais feliz, mais justo e audaz na paz entre os homens.
Autor: Albino Gonçalves
Na nossa meritocracia...
DM
4 dezembro 2017