Todos os países encaram os grandes eventos desportivos como uma forma de mostrar e testar o seu nível de desenvolvimento desportivo, nomeadamente no que toca ao seu desporto de alto rendimento.
Em regra, os grandes resultados desportivos têm sempre por trás um investimento muito direcionado para esses feitos, ou então, uma política de prática desportiva alargada à população em que estes resultados aparecem de forma natural.
No entanto, em Portugal, parece que nenhum destes modelos é aplicado, pois a não existência de Plano Estratégico para o Desporto deixa aos seus agentes uma forma de atuação completamente independente, não coordenada, o que faz com que o sucesso não pareça de forma consistente.
Ficam aqui algumas sugestões que poderiam só por si, promover alguma alteração, ou pelo menos, a promoção de resultados desportivos de nível internacional:
Deveríamos aproveitar as características da população e dos atletas portugueses e a maior expressão das modalidades desportivas do nosso país. Não podemos ter desempenho elevado em todas as modalidades no alto nível desportivo, deveremos fazer apostas concentradas em determinados nichos, as quais nos poderão trazer sucesso desportivo de forma mais rápida ou pelo menos a médio prazo.
É impossível, que um País com a dimensão e os recursos de Portugal, aliados a uma tradição desportiva pouco relevante, aspire a resultados importantes e em muitas modalidades;
É indispensável que os projetos desportivos das Federações de modalidade sejam devidamente avaliados. É essencial apresentar uma ideia de desenvolvimento, não basta ter atletas nem treinadores de alto rendimento em determinado período, é fundamental ter dirigentes e uma estrutura de apoio qualificada, inovadora, eficaz e eficiente.
Os contratos desportivos celebrados entre o Estado e os representantes das estruturas desportivas deveriam ser muito claros, encarados com seriedade e transparência. Quem subsidia e quem recebe financiamento deve ter metas e objetivos quantificáveis, só assim se pode avaliar um projeto de forma séria e preparar melhor o futuro;
Hoje em dia é indispensável a existência de uma equipa de especialistas de reconhecido mérito técnico e científico, que se ocupe de forma independente de avaliar e coordenar os planos de preparação propostos pelas diversas federações, sem perder a referência dos objetivos fixados e da política de representação nacional.
Este grupo deverá acompanhar o trabalho do Comité Olímpico, Federações, dirigentes, treinadores e outros especialistas com sugestões e o apoio mais adequado à preparação e obtenção do elevado rendimento das equipas e atletas envolvidos;
Por fim, é de opinião quase unânime que tarda em aparecer um plano nacional de seleção e deteção de talentos desportivos. Sem este plano de abrangência nacional, o aparecimento de atletas de topo mundial continuará a dar-se ao acaso.
O facto de não termos estas situações pensadas e resolvidas, fará com que a expetativa de resultados internacionais, nomeadamente nos próximos Jogos Olímpicos de 2020 e 2024, seja a mesma das últimas edições, ou seja, esperar que um atleta tenha um dos melhores dias da sua vida desportiva para que Portugal apareça no quadro das medalhas.
Autor: Fernando Parente
Mudar para melhorar os resultados internacionais
DM
8 dezembro 2017