O número de mortes relacionadas com o Campeonato Mundial de Futebol de 2022 que vai ocorrer no Qatar varia e está dependente da definição e método usados. Incluindo donde os trabalhadores migrantes são provenientes? Onde e quando morreram? E quando as suas mortes podem ser relacionadas com o trabalho do Mundial ou não. Todavia, seguindo Walter/Ford, Deutsche Welle, 16/11, as próprias estatísticas e dados oficiais do Qatar têm manifestas inconsistências. Assim, é possível desde logo concluir que as informações oficiais do próprio Qatar são incapazes de fornecer dados dignos de confiança inabalável. A História parece recordar grandes construções da Humanidade, como as pirâmides do Egipto ou a Grande Muralha da China e outras maravilhas. As críticas mundiais têm aumentado. Activistas dos Direitos Humanos, jornalistas e meios de comunicação social, políticos e adeptos de futebol (em 5/11, os adeptos do Bayern de Munique tinham uma faixa que reclamava “vergonha por mais de 15.000 mortos”) falam entre cerca de “6.500 e 15.000 mortos directamente relacionados com o campeonato do mundo”. Mas serão estes números correctos? Desde que o Qatar ganhou os direitos para organizar o Campeonato do Mundo de Futebol que as críticas sobre os Direitos dos Trabalhadores têm aumentado. É, porém, muito difícil saber ao certo quais são os números reais. E o que dizem FIFA, autoridades do Qatar, associações de Direitos Humanos ou a comunicação social? Bem, encontram-se verdades, assim como falsidades, entre factos e erros. A reclamação de que morreram entre 6.500 e 15.000 trabalhadores migrantes no Qatar por causa do trabalho no Campeonato no Mundo de futebol é de acordo com o Deutsche Welle, 16/11, citamos, “falsa”. Em 2021 um inquérito internacional da Amnistia Internacional falava em “15.021 mortos”. Já antes, em Fevereiro de 2021, o jornal britânico The Guardian relatava que existiam pelo menos “6.500 trabalhadores mortos”. Porém, se analisarmos ao pormenor estes dois trabalhos nos quais se basearam depois muitas das notícias que se espalharam pelo mundo, ambos se referem a inúmeros não-residentes no Qatar e com as mais variadas ocupações e profissões. Portanto, o problema destes trabalhos é que se referem a todos os trabalhadores migrantes no Qatar e não só aos que trabalharam nos estádios e edifícios de apoio ao Campeonato Mundial. O número de 15.021 mortos da Amnistia Internacional é proveniente das próprias estatísticas do Qatar entre 2010-19 (15.799 até 2020). Assim, é verdade que morreram mais de 15.000 migrantes no Qatar nestes períodos, mas não só relacionados com o Campeonato Mundial. Estes números incluem trabalhadores pouco qualificados, mas tambérm engenheiros, médicos, professores e empresários. Muitos vieram de países pobres como Nepal ou Bangladesh, mas outros vieram de países desenvolvidos. Já os números de cerca de 6.751 mortos que são provenientes da reportagem do The Guardian têm por fonte as próprias estatísticas de países como o Bangladesh, India, Nepal, Paquistão ou Sri Lanka. Países com mão de obra pouco qualificada. O Governo do Qatar em resposta não negou o número local de cada país, lamentou todas as mortes, mas referiu que os valores estão de acordo com os números da população. Será verdade? O “polígrafo” do Deutsche Welle diz que não: há erros. Uma coisa é a taxa de mortos nos países pobres de origem dos migrantes. Outra, diferente, é a taxa de morte no Qatar (aqui é bem menos elevada do que nos países de origem, embora seja mais elevada do que os cidadãos nacionais dentro do Qatar). Assim nos diz a Organização Mundial de Saúde. Note-se que para ir trabalhar para o Qatar passa-se por vários testes médicos. E é certo que há muitos problemas relacionados com o excesso de calor que provoca falências hepáticas em pessoas entre os 20-50 anos. O Governo do Qatar e a FIFA chegaram a dizer que só 3 trabalhadores morreram na construção dos estádios… É óbvio que é informação errada. Reconhecendo também 37 mortos em acidentes conexos (rodoviários, etc.). Todavia por causa do mundial há novas auto-estradas, hotéis, metros, expansão do aeroporto, etc.. Há um documentário da ARD alemã onde médicos do Qatar disseram ter sido obrigados a fazer certas certidões de óbito para justificar mortes.... Aliás também a Human Rights Watch aponta que a insolação e exaustão, caso não tratadas, causam a morte. Aliás o Qatar em 5/2021 proibiu certos trabalhos no pico do calor entre as 10-15.30hrs…
Autor: Gonçalo S. de Mello Bandeira