Foi em Lisboa, ou vai ser na capital, que vão ser construídas oito instalações para cuidados continuados para idosos e não só, com lugar para mil pessoas. Mas é um belíssimo exemplo que gostaria de ver reproduzido em muitos outros locais do país e, obviamente em Braga ,onde há acamados em macas, velhos que ninguém os quer, doentes que necessitam de múltiplos cuidados continuados! Seria mesmo uma campanha igual ou idêntica à dos sem abrigo, tanto do agrado e empenho do sr. Presidente Marcelo. Em Braga já há uma instituição desta natureza mas é exígua para dar resposta a tantas solicitações. A população tem, cada vez mais, mais velhos, mais pessoas sem alguém que lhes acuda, sem meios financeiros que lhes permitam ir para lares; daqui se conclui que se já hoje os velhos são uma classe social carenciada de apoios continuados, com o andar dos tempos mais premente estas carências se vão sentir. E de duas uma, ou se lhes acode ou morrem ao abandono como coisa velha e sem préstimo. É bom Braga ter um hotel de luxo, em S. Marcos, para responder ao turismo rico, mas é preciso termos também, que ali não destoaria de todo, uma instituição de cuidados continuados. Chora a alma em presenciar os que usufruem de luxos dum hotel de cinco estrelas e os que que têm por teto o “hotel de mil estrelas”. Tenho pena dos que não conseguem sentir esta dicotomia. Sentir é o primeiro passo de qualquer caminhada. Em Braga há tantos edifícios enormes abandonados ou de fraca utilidade que me faz lembrar se não poderiam ser usados para estes fins. Julgo que temos de começar a pensar em encontrar resposta para este problema que não se pode adiar e muito menos esquecer sob pena de estarmos a pecar por “desespero de salvação”. Com a participação empenhada da câmara municipal, em parceria com a igreja bracarense, com a colaboração especial do governo através dos ministérios da solidariedade e saúde e ainda com a ajuda de todos nós, talvez pudéssemos arranjar alojamento para os cuidados continuados e, numa extensão de ajuda aos mais necessitados, que me parece legítima, dar alojamento aos que todos os dias dormem ao relento. E se as instalações comportassem, também os que sem dinheiro para ser alarados, ali encontrassem o abrigo material para o resto da sua vida. Uma espécie de multiusos da solidariedade bracarense. Magnífico. Fica a ideia como sementinha que, levada pelo vento da boa intenção, possa vir a incomodar as consciências daqueles que têm terreno onde esta semente possa germinar. Para germinação não basta a boa semente é preciso cuidados continuados para ser radícula e deitar caulículo. Não podemos ter uma situação de piedade e indiferença ao mesmo tempo: seria o mesmo que achar possível entender um psicopata que chora pelas suas vítimas.
Autor: Paulo Fafe
Mil vagas para cuidados continuados
DM
12 fevereiro 2018