É com expectativa que o cidadão português espera pelo novo governo que presidirá aos destinos do país num futuro próximo e, se tudo correr sem incidências complexas, estará quatro anos em acção.
Resultante de um partido – o Partido Socialista – que obteve maioria absoluta nas últimas eleições legislativas, certamente que quem o formar encontra muitas hipóteses de escolha e uma liberdade de movimentos que devem, com certeza, facilitar o seu trabalho.
Outra realidade, decorrente de uma escolha dos eleitores que ninguém contesta, se simplifica a formação dos elementos do novo governo, também lhe exige uma actuação e um desempenho de funções que correspondam à confiança que os votantes depositaram, certamente na figura de quem vai ser primeiro ministro e nas possibilidades de todos os membros ministeriais que forem escolhidos e aceitem dar o seu melhor ao desafio das competências que desempenhem.
Ter uma maioria absoluta é um chamamento à responsabilidade de quem a recebe. Certamente que há um exercício mais simples de opções e de execução dos governantes, porque não têm de contar com a oposição tão obstrutora de uma quantidade de deputados que não pertencem à cor e aos ideais do partido vencedor. Mas esta situação, repete-se, ou é assumida com absoluta responsabilidade por quem dirige, ou transforma-se num obscuro estado de inércia desenxabida e injusta das funções governativas.
O Partido Socialista já conheceu, desde o 25 de Abril, esta circunstância. No entanto, não foi deveras feliz na sua realização, levantando, inclusivamente, muitas dúvidas sobre o acerto de quem presidiu superiormente à sua acção governativa. Portugal não parece ter sido beneficiado com esses anos de maioria absoluta, em que o actual Primeiro Ministro, António Costa, entre 2005 e 2007, exerceu as funções de Ministro de Estado e da Administração Interna, num governo chefiado por José Sócrates.
A manifestação de confiança que muitos votantes concedem ao grupo político que vence as eleições deste modo, supõe uma resposta adequada que manifeste acerto, oportunidade, competência e capacidade de concretização das medidas que o governo tome. Decerto que o sentido crítico e expectante dos seus eleitores não se subordinará a medidas pouco claras ou absurdas. O sentido ético e profissional do comportamento dos seus executores ou prima pela seriedade, ou provoca uma desilusão e um desencanto irreversíveis e genuínos. E haverá uma perda de confiança e uma desilusão em relação às expectativas que os seus eleitores tinham criado.
Certamente que uma maioria absoluta não significa um governo acima de todos os representantes dos outros grupos parlamentares, como se regressássemos ao modelo do partido único, nos tempos da União Nacional de Salazar. Pelo contrário, deve haver consultas e troca de ideias, como parece que o actual Primeiro Ministro já efectuou. E isto, com frequência positiva, ao longo dos anos que a actual composição da Assembleia da República se mantiver. É um dever democrático e sadio que se espera que o Partido Socialista viva com naturalidade e vigor.
Goste-se ou não dos resultados das eleições dos fins de Janeiro deste ano, a verdade é que a Assembleia da República conta com um grupo de deputados (PS) que, segundo creio, somam os 119 lugares. O grupo número dois (o PSD) conseguiu 73. E os restantes, apesar das subidas de dois deles que apenas tinham um deputado na legislação anterior, não conseguem contrapor ao partido mais votado o número suficiente para lhes retirar a referida maioria.
As responsabilidades do PS são muito sérias! Quer pela agilidade de acção que a maioria lhe concede, quer por aquilo que dele esperam os que nele votaram e, certamente, todo o cidadão português, que respeita as normas que a democracia lhe proporciona.
Autor: Pe. Rui Rosas da Silva