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Louvor ao sacristão

Nota prévia:

No texto que se segue tanto me refiro à igreja – comunidade de crentes, como à igreja – local onde os crentes se reúnem.

1. Gostei de saber que a Assembleia Municipal de Cabeceiras de Basto, na reunião de 30 de setembro, aprovou, por unanimidade, um voto de louvor ao sacristão Eduardo Leite Magalhães pelos 60 anos ao serviço da igreja do Mosteiro de S. Miguel de Refojos.

Nem sempre se aprecia devidamente o serviço do sacristão. No entanto, muitas vezes, é a primeira pessoa com quem contacta quem entra na igreja. Faz um trabalho, a maior parte das vezes, discreto, mas muito importante. Trabalho de que, penso que na generalidade dos casos, apenas recebe uma retribuição simbólica.

Tenho-me apercebido de que nem sempre há quem se disponibilize para servir como sacristão. É, muitas vezes, a primeira pessoa a entrar na igreja e a última a sair. Parte do seu trabalho não é visto por ninguém. Só se nota quando falha.

É dever de todos os fiéis reconhecer e apoiar o serviço do sacristão. Aplaudo a decisão da Assembleia Municipal de Cabeceiras de Basto.

2. Isto leva-me a pensar, mais uma vez, na participação dos leigos nas atividades da Igreja. A reforçarmos a consciência de que todos os batizados somos Igreja. Igreja corpo de Cristo, de que fala S. Paulo no capítulo 12 da I Carta aos Coríntios.

Somos membros do mesmo corpo. E nesse corpo, cada um de nós tem uma função que é chamado a desempenhar.

Na linguagem eclesiástica a palavra ministério, de origem latina, significa serviço. Corresponde-lhe a palavra de origem grega diaconia.

Os ministérios exercem-se em três campos específicos: o da palavra de Deus; o da santificação do Povo de Deus; o do governo da Igreja, neste incluindo toda a ação sócio-caritativa.

Exercer um ministério é prestar um serviço à comunidade.

Cada um deverá exercer o ministério para que se sente particularmente vocacionado, cuidando da devida preparação.

3. Não existem na Igreja unicamente os ministérios de leitor e de ministro extraordinário da comunhão.

Há outros serviços que devem ser prestados onde, quando e como for preciso.

Exercer um ministério não é exibir-se. Não é julgar-se superior aos outros. Não é julgar-se com direito a um tratamento privilegiado. É, simplesmente, servir. Pôr ao serviço da comunidade os talentos que Deus nos deu.

O ambão não é uma passerelle de quem deve servir se serve para mostrar a toilette ou se pavonear.

Faça cada um, bem, o que deve fazer (Lucas 17, 10)

4. Também se serve a Igreja cuidando da limpeza e do adorno do edifício e das alfaias eclesiásticas. Integrando o coro ou os conselhos económico e pastoral. Fazendo parte do grupo de acólitos.

Também se serve fazendo trabalhos que ninguém vê. Trabalhos que, além, de não serem remunerados, ainda dão despesa a quem os executa.

Também se serve participando nos diálogos que, na celebração, se estabelecem entre o presidente e a assembleia.

Também se serve contribuindo para que na igreja exista um ambiente propício ao recolhimento e à oração.

5. É um erro considerar a igreja uma espécie de supermercado, onde cada um vai só quando precisa e unicamente para se abastecer. Ou para dar uma satisfação aos familiares e amigos; para fazer companhia ou assinar o ponto, como talvez aconteça em alguns funerais.

Um erro é, também, identificar a Igreja com os membros da hierarquia. Na paróquia, com o padre e com os que mais de perto com ele colaboram.

A Igreja, sublinho o que escrevi acima, é constituída por todos os batizados. Todos se devem sentir membros ativos e participantes. A todos deve interessar o que com ela se relaciona. Todos se devem sentir corresponsáveis pelo seu progresso ou pelo seu definhamento. Todos se devem sentir magoados com as pedradas que contra ela são arremessadas.


Autor: Silva Araújo
DM

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13 outubro 2022