Quando surge alguém com um desempenho extraordinário numa determinada área, acredita-se que tal se deve à genética ou… é um dom de Deus. Eu, sinceramente, não acredito que a genética justifique a excelência, e muito menos que esta seja enviada (ou caia) dos céus.
Creio sim, que a procura da mesma, exige muitas horas de trabalho árduo e que poucos são os que a ele se sujeitam, preferindo esperar pelas benesses dos deuses.
A acreditar em algo assim, opto por seguir a via humorística com que o professor José Paulo Viana nos brindou recentemente numa palestra na escola secundária de Vila Verde.
Este docente, aposentado, que fomentou em milhares de alunos (e leitores) o gosto pela matemática, e foi também autor de diversos livros e coautor da secção “desafios” do jornal Público (durante cerca de três décadas) “mostrou-nos”, com frações, potências e algumas operações de aritmética simples, e usando apenas a hora, dia, mês e ano do seu nascimento que os deuses o criaram para a matemática.
Como resultados finais das operações apresentadas, surgia o Pi (3,14…), o número de Neper (2,7) e o número de ouro (1,8). Rendemo-nos às evidências e, juntamente com alunos do 12.º ano, viajamos nos números e probabilidades durante 90 minutos.
E, neste tempo de um jogo de futebol, dei comigo a pensar qual a probabilidade de os deuses me terem, também, criado para algo. Usando a minha data de nascimento (23.11.1962) e não sendo especialista na área, cingi-me a simples operações de soma e/ou subtração e percebi, objetivamente, ter sido, também eu, bafejado por eles.
O dia, 23 de novembro, mostra indubitavelmente que nasci para lecionar no ensino público, pois é quando pagam o subsídio de Natal.
Coincidência? Não acredito. Mas, terei nascido para algo mais? Voltemos ao dia, 23, é o número de atletas que se convocam para um Mundial de Futebol. E o mês? 11, é demasiado óbvio, número de jogadores que cada equipa apresenta em campo. Ano? 1962, é ano de mundial e a soma dos seus números dá 18 – número de atletas passíveis de integrarem uma ficha de jogo.
Se me restringir apenas aos dois números finais do ano de nascimento e os separar (6-2) surge um resultado que ando a tentar… esquecer, mas se os somar, surge o 8.
Quem jogou futebol sabe que há a predileção por determinado número e, no meu caso, foi sempre o 8, antes de começar a “polir” bancos de suplentes.
Foi também na década de oitenta que joguei futebol federado, subi de divisão no GD Gerês e fui bicampeão nacional universitário pelo ISEF-UP.
Será obra do acaso, o meu cartão de sócio do SCB, em 4 números possíveis, ter três oitos? Obviamente, percebi ter nascido também, para o futebol e para ser sócio do SCB
Assim sendo, deixo uma sugestão final aos leitores: verifiquem se (como eu e o José Paulo Viana) foram bafejados pelos deuses e “nasceram” para o que estão a fazer, ou se ainda haverá tempo de procurar a realização profissional e pessoal noutra área.
Autor: Carlos Mangas
José Paulo Viana e os números da nossa vida
DM
8 fevereiro 2019