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Investir é muito maisdo que gastar

Afalta de financiamento privado no desporto, no âmbito global, agravou-se quando, há uns anos, o Estado implementou medidas mais rigorosas no controlo das contas dos clubes. Como existiam poucos apoios públicos, ou nenhuns, o Estado ia “fechando os olhos” a algumas situações, como forma de compensação (política), tendo em conta o papel fundamental que os clubes ocupam na dinamização social. A moralização, o controlo, a fiscalidade e a tentativa de operar mais receitas com o desporto, obrigou a uma carga superior sobre os clubes, nomeadamente com as verbas oriundas do mecenato e da publicidade. Ainda bem, mas o problema é que não se criaram os mecanismos alternativos. Assim, os clubes deixaram de se poder financiar, porque, essencialmente, as empresas e os patrocinadores, supostamente, não ganhavam muito ou nada, quando faziam publicidade em algumas modalidades. Quem ficou a perder? Os atletas e os treinadores, as modalidades, ou seja, a essência do desporto. As ajudas e as remunerações baixaram drasticamente, os orçamentos das equipas sofreram uma deflexão para valores muito inferiores, os atletas continuaram a sua prática diária mas, com remunerações miseráveis ou nenhumas e os atletas na formação a ter que pagar para poderem praticar desporto. Onde é que está a democratização do Desporto? Sofremos de muitos problemas diários, que todos devemos encarar: – Falta de medidas concretas de benefícios fiscais às empresas que ajudam/patrocinam o desporto; Medidas conjuntas na Educação e na Saúde, englobando o COP, IPDJ, Desporto Escolar, Desporto Universitário, Federações e Clubes formadores, de forma a relevar a importância política da massificação, democratização do acesso à prática desportiva, garantindo a afirmação política, social e económica do desporto; Uma fórmula distinta de apoio e financiamento às federações, de tal forma que permita uma correta aplicação financeira em políticas efetivas de desenvolvimento desportivo. Existe ainda uma perda dos recursos financeiros entregues para o desporto, mas que depois são, quase na totalidade, gastos em procedimentos administrativos e logísticos das federações; Um apoio efetivo aos atletas de alto rendimento, sem diferenciação, mas com critério. A diferença entre os valores das bolsas e verbas de preparação entre atletas olímpicos e paralímpicos é descomunal e inaceitável; Verbas insignificantes destinadas à preparação olímpica e paralímpica; Atrasos muito significativos no financiamento aos atletas/treinadores/clubes/federações; Faltam medidas concretas de formação dos quadros de dirigentes. Ainda temos dirigentes desportivos que parecem estar na tasca a discutir o clube do coração, enquanto fazem as contas no papel da mesa, de lápis atrás da orelha, entre duas cervejas; Medidas de ligação dos atletas/treinadores/clubes/seleções com os sistemas educativos e laborais, diminuindo as dificuldades de conciliação entre a prática desportiva de rendimento e a escola/empresa em que se inserem. O investimento de um euro no desporto e na educação física das nossas crianças e jovens equivale à poupança de vinte euros nos hospitais. Mas, mais que um investimento é necessário valorizar e mudar as mentalidades. É só uma questão de fazer contas…
Autor: Carlos Dias
DM

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8 dezembro 2017