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Incompatibilidades ou abusos de poder?

Ainda há jornalistas e comentadores em Portugal que não têm medo de expressar livremente a sua opinião. Coisa rara neste tempo de socialismo em que uma boa fatia de “influenciadores” se colam ao poder e às suas benesses. Estes, com escritos bem orquestrados, com palavras enrodilhadas, aparentemente inocentes, vão dando lastro para que a azáfama socialista se imponha nesta sociedade quebrada pela pobreza e agora despojada do poder de compra.

1 - Coragem - Congratulo-me com essas vozes que vão remando contra a maré. É preciso coragem para desalinhar. Muita coragem neste ciclo económico-social complicado! Coragem de dizer não. Esses “remadores” agem assim, porque gostam do país. Porque entendem que a dignidade, a verdade e a transparência estão em primeiro lugar. É preciso, portanto, erguer a nossa voz, todos e individualmente, perante o absolutismo em vigor. Um absolutismo de classe. De boys. Para empobrecer. Para tornar a política num pântano.

É preciso mesmo agitar as águas inquinadas para as decantar e poderem correr claras e cristalinas no leito social. Quem diria que 48 anos depois, o país se via agarrado a um poder que faz o que quer, tudo controla e domina todas as instituições públicas com a complacência de muitos. Dos que têm voz afónica para as inconveniências. Dos que se acomodam e se calam, perante as barbaridades interesseiras que se grudam em volta da estirpe parasitada. Das afamadas incompatibilidades. Há muitos casos e casinhos que fazem “irritar” até os mais crédulos. Casos demasiados e descarados para se aceitar de ânimo leve. Casos inaceitáveis!

2 - Incompatibilidades - A lei das incompatibilidades existe para regular e refrear o apetite voraz dos “homens do poder”. Para haver o mínimo de decência. De transparência. De bom senso. Negócios, sempre negócios, em busca de mais, de cada vez mais, com o objectivo sórdido de se ter muito. Muitíssimo. E de qualquer maneira. É bom - pensam eles - estar rodeado de mordomias e de se sentir influente. São esses, os eternos beneficiados do regime, que acedem facilmente e sem obstáculos à máquina do dinheiro. Aos projectos encomendados.

O que se ouve e o que se vai sabendo não é bonito. Nem tolerável para quem exerce o poder num Estado democrático. Esquecem que quem está no poder é para prestar serviço público. Para estar ao serviço das pessoas. De mãos limpas e de cabeça erguida.

3 - Empresas e empresas - Quem tiver negócios ou estiver envolvido em negócios não deve estar no poder. Na versão contrária, nas suas empresas devem estar determinados, preocupados e ocupados para criarem riqueza, serem úteis ao país e à comunidade. Depois, sim, ter sucesso individual ou empresarial. Os meus encómios a esses empresários que arriscam o seu “cabedal”.

O que se está a passar no país político é feio. Muito feio. São ministros envolvidos em negócios; são secretários de Estado envolvidos em negócios; é toda uma teia de negócios montada que dão péssima imagem a quem nos governa e ao país. Um país cheio de compatibilidades!

Senhores políticos, mudem a lei, para tirarem as”vergonhas dos arranjos” das práticas políticas e para que os negócios, os verdadeiros negócios, se continuem a fazer sem vozeria, sem incriminações sociais, sem estigmas pessoais. Esses negócios fazem falta à economia.

O povo, no fundo, não precisa de saber o que se passa na penumbra dos negócios da classe política. Não precisa mesmo! Porque, quando sabe, a democracia sai beliscada. E desacreditada.

4 - TAP - Ainda há governantes que não perceberam a decisão arrruinada que tomaram e que provocou um rombo de 3,2 mil milhões de euros ao erário público, até agora! Parece impossível, E, no final, todo este desperdício serviu somente para dar vida a um político que estava condenado a desaparecer de cena. Então, nacionalizou-se para agora reprivatizar. Quem compreende? Com que custos? Com que lata se enfrentam as pessoas?

Durante anos venderam a TAP como um grande “investimento”. Um investimento que a salvou da sanha dos privados. Salvar-se-iam, assim,-diziam eles- milhares postos de trabalho, o que não foi verdade. Houve, pelo contrário, despedimentos em massa e serviço público uma desgraça. Decisão, portanto, infeliz que correspondeu às exigências de uma geringonça demagógica e não a uma companhia de viação que estaria, por necessidade, ao serviço da diáspora e do país. A verdade é que esta empresa de bandeira, (ou de bandalheira) está falida e é, hoje, um sorvedouro de dinheiro público e que caminha para a irrelevância total. Não tem presente e muito menos futuro. Ou desaparece de vez ou integra-se noutra companhia para desaparecer aos bocados. A escolha é complicada. E óbvia.


Autor: Armindo Oliveira
DM

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30 outubro 2022