1. Começo por transcrever uma notícia divulgada pelo Apostolado da Oração no começo deste mês:
«Na edição de dezembro de O Vídeo do Papa, Francisco pede respeito e consideração pelos idosos de todas as culturas.
O vídeo, divulgado pela Rede Mundial de Oração do Papa, enfatiza o sentido da intenção do Papa para este mês: "Um povo que não cuida dos avós não tem futuro".
O papel dos idosos como portadores da sabedoria e experiência na sociedade é o tema central da mensagem divulgada através do Vídeo do Papa. "Tenhamos presentes os nossos idosos, para que, sustentados pelas famílias e instituições, colaborem com a sua sabedoria e experiência para a educação das novas gerações", sublinha o Santo Padre, acrescentando: As avós e os avôs são a nossa força e a nossa sabedoria”.
O ritmo de crescimento da população idosa em todo o mundo é o mais acelerado dos últimos anos. Em 2016, 8,48 por cento da população mundial tinha mais de 65 anos. Entre os países com maior percentagem de idosos, destacam-se o Japão, com 27 por cento; Itália, com 23 por cento; Portugal e Finlândia, com 21 por cento; seguidos pela Bulgária, Grécia, Letónia e Suécia, com 20 por cento.
“Quando uma sociedade perde a memória, está perdida. Não tem raízes”, avisa o Papa. "Aos avós foi confiado transmitir a experiência de vida, a história de uma família, de uma comunidade, de um povo; eles são uma promessa e uma garantia de futuro”, remata.
2. Reafirmo a convicção de que o lugar ideal para os idosos é a família. O ambiente em que se acostumaram a viver. O convívio com os filhos e os netos.
Mas há realmente famílias que não podem, em casa, prestar aos idosos a assistência devida. Por isso se criaram os Lares de Terceira Idade, a que os nossos governantes decidiram chamar ERPIs – Estruturas Residenciais para Idosos.
São, em minha opinião, um mal necessário. Mas necessário. Muito necessário, em algumas localidades. Pena que não haja mais, de portas abertas aos idosos que usufruem de pensões modestas.
Há, é imperioso reconhecê-lo, idosos privados da devida assistência por não terem possibilidades de pagarem a mensalidade que lhes é exigida ou os medicamentos de que carecem.
É evidente que manter em funcionamento lares de idosos tem custos. Quem neles trabalha deve ser devidamente remunerado. Se não puderem ser custeados pelos utentes, que o sejam pela comunidade. A gestão de dinheiros públicos não deve ficar indiferente a estas situações. Se há dinheiro para custear o crime do aborto provocado, porque não há de haver para ajudar as pessoas a terem uma velhice digna?
3. Mais do que serem vistos como fonte de lucro, é missão dos lares de idosos funcionarem como um serviço que se presta a quem deles precisa, seja qual for a sua capacidade económica.
Um serviço prestado com qualidade. Onde se não pretende que haja luxo mas se não tolera a existência de lixo. Onde as pessoas sejam tratadas de harmonia com a dignidade de seres humanos e de filhos de Deus.
Entendo um lar de idosos como uma espécie de prolongamento da família.
4. Um idoso não é um objeto gasto. Não é um móvel em desuso que se arruma no sótão. Não é um pneu careca que se encosta à parede da garagem para impedir que o carro se esmurre.
Um idoso, seja ele quem for, é uma pessoa, e como tal deve ser tratado.
É desumano o abandono a que alguns idosos são votados, também pela família a que continuam a pertencer.
Não entendo porque é que o idoso não há de ser visitado regularmente. Porque é que não há de ir ao domingo almoçar com a família. Porque é que não é levado, uma vez ou outra, a passear.
Vem aí o Natal. Haverá, para os idosos internados nos lares, um lugar à mesa da Consoada, no convívio dos filhos e dos netos?
Autor: Silva Araújo
Idosos: amados ou arrumados?
DM
14 dezembro 2017