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Homens em busca de paz

1. Celebra-se segunda-feira o 51.º Dia Mundial da Paz. Instituído por Paulo VI em 08 e dezembro de 1967, celebrou-se pela primeira vez em 1 de Janeiro de 1968 e pretende envolver na mesma luta crentes e não crentes. A paz é um valor tipicamente cristão. Cristo foi anunciado o Príncipe da Paz; por ocasião do seu nascimento os anjos cantaram «glória a Deus e paz aos homens...»; Ele quis deixar-nos a Sua paz; saudava os discípulos desejando-lhes a paz; proclamou a felicidade dos construtores de paz. No entanto, “a proposta de dedicar à paz o primeiro dia do ano não tem a pretensão de ser qualificada como exclusivamente nossa, religiosa ou católica. Antes, seria para desejar que ela encontrasse a adesão de todos os verdadeiros amigos da paz”, escrevia aquele Papa, para quem O Dia Mundial da Paz é um dia a ser celebrado pelos "verdadeiros amigos da Paz", independentemente de credo, etnia, posição social ou económica».
2. A paz é uma causa em relação à qual, hoje mais que nunca, ninguém bem intencionado deve ficar indiferente. Vive-se, dizia há tempos o Papa Francisco, uma nova guerra mundial aos bocados. Para o próximo dia 01 de janeiro é este o tema de reflexão: «Migrantes e refugiados: homens e mulheres em busca de paz».
O Papa lembra, na mensagem que divulgou, os mais de 250 milhões de migrantes no mundo, dos quais 22 milhões e meio são refugiados. Pessoas, diz, que procuram um lugar onde viver em paz. Pessoas que fogem da guerra e da fome ou se veem constrangidas a deixar a própria terra por causa de discriminações, perseguições, pobreza e degradação ambiental. Pessoas que, em busca do tal lugar, estão prontas a arriscar a vida numa viagem que se revela, em grande parte dos casos, longa e perigosa, a sujeitar-se a fadigas e sofrimentos, a enfrentar arames farpados e muros erguidos para as manter longe da meta. 3. Há quem veja estas pessoas com desconfiança e com medo. «Em muitos países de destino, escreve o Papa Francisco, generalizou-se largamente uma retórica que enfatiza os riscos para a segurança nacional ou o peso do acolhimento dos recém-chegados, desprezando assim a dignidade humana que se deve reconhecer a todos, enquanto filhos e filhas de Deus. Quem fomenta o medo contra os migrantes, talvez com fins políticos, em vez de construir a paz, semeia violência, discriminação racial e xenofobia, que são fonte de grande preocupação para quantos têm a peito a tutela de todos os seres humanos.» 4. Consciente desta realidade, o Papa recomenda que os migrantes e refugiados sejam vistos com um olhar contemplativo. «A sabedoria da fé, escreve, nutre este olhar, capaz de intuir que todos pertencemos a uma só família, migrantes e populações locais que os recebem, e todos têm o mesmo direito de usufruir dos bens da terra, cujo destino é universal». Precisamos, escreve também, de «lançar sobre a cidade onde vivemos um olhar de fé que descubra Deus que habita nas suas casas, nas suas ruas, nas suas praças, promovendo a solidariedade, a fraternidade, o desejo de bem, de verdade, de justiça, por outras palavras, realizando a promessa da paz». «Detendo-se sobre os migrantes e os refugiados, acrescenta, este olhar saberá descobrir que eles não chegam de mãos vazias: trazem uma bagagem feita de coragem, capacidades, energias e aspirações, para além dos tesouros das suas culturas nativas, e deste modo enriquecem a vida das nações que os acolhem. Saberá vislumbrar também a criatividade, a tenacidade e o espírito de sacrifício de inúmeras pessoas, famílias e comunidades que, em todas as partes do mundo, abrem a porta e o coração a migrantes e refugiados, inclusive onde não abundam os recursos. Este olhar contemplativo saberá, enfim, «guiar o discernimento dos responsáveis governamentais, de modo a impelir as políticas de acolhimento até ao máximo dos limites consentidos pelo bem da própria comunidade retamente entendido, isto é, tomando em consideração as exigências de todos os membros da única família humana e o bem de cada um deles».  
Autor: Silva Araújo
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28 dezembro 2017