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Hoje quero escrever sobre… o “Kiko” Correia

O meu coração de Avô está dividido em 4 cavidades estruturais e oito afectivas rigorosamente iguais. Aquelas, vitais, estão em permanente “agitação” de sangue que entra e sai do coração que dá e mantém a vida. Todos sabemos isso. E é preciso que funcione bem.

As oito cavidades, outras, são de natureza afectiva. Vitais, também, para a “raiz” que sou dos meus netos que cada dia que passa se mete mais na terra, envelhecendo, mas que procura dar-lhes a seiva do amor até que a lei da vida e da morte me desligue fisicamente deles. Lá alojei os meus oito netos, uns mais velhos, como a Matilde e a Carolina, outros de “meia idade” como a Margarida, o Lourenço, a Rosário. Depois os “infantes” com o Francisco, a Madalena e o Henrique. Estão todos alojados no meu coração em compartimento iguais e dão-se todos muito bem uns com os outros para minha alegria. Gosto de os ver juntos, o que não é muito frequente. Creio que o coração dos avós se dilata com o tempo e a idade dos seus netos para que naquele caibam sempre os netos. Os avós são, assim, uma espécie de raiz-coração afectiva que se vai alongando e alargando para se manter viva e dar vida aos netos, quais frutos de uma árvore.

Neste artigo, que decidi escrever sobre o Francisco, o “Kiko Correia”, um dos “infantes” alojado no meu coração por uma razão muito simples: é o único desportista, apesar dos seus 7 anos. Desde os 5 que pratica “karting” e com enorme sucesso. O “Kiko” e o o kart fazem um só, unidos pelo querer e força de vontade do meu neto piloto. Sinto um arrepio de alegria e admiração quando o vejo ao volante do seu mini-aparelho de corrida, adaptado ao seu nível etário e… ponderal (o Kiko não é pesado!). E as curvas que ele faz na pista, perfeitas. Não é por acaso que já conta com um largo conjunto de troféus. O último, foi um brilhante 2.º lugar no Open de Portugal de Karting e que mereceu este título na revista “O Atleta” de 5 de Março p.p.: «De tenra idade, mas já com bastantes feitos na modalidade de karting, Francisco Correia, foi a Viana do Castelo defrontar os melhores da categoria, Cadete 4T» e a mesma revista acrescentava no corpo da notícia: «… Importa salientar que Francisco Correia fez um final de grande nível e conquistou o 2.º lugar, terminando na frente de João Francisco, que completou o pódio.» E assim, o meu neto subiu ao pódio em 2.º lugar. Vaidade de um avô? Sim e não me envergonho de o escrever. O Kiko honra a sua família, Mãe, Pai e Mana. Honra a família paterna e continua a tradição dos Correia ao volante. Honra a família materna, que não é dada ao volante, mas se orgulha deste neto.

Mas o Kiko é, além de muito bom aluno, sobretudo, muito “ternurento” e não é orgulhoso dos seus feitos de que a família se “envaidece” mas a cidade natal ignora! Contudo, o Kiko honra Braga na sua área desportiva. E é determinado. Até se esforça por aumentar o seu peso, ele que não é muito dado a comer muito!

…É assim um avô babado por este neto que tantas e tantas vezes adormeceu ao seu colo, lhe mudou as fraldas ou lhe deu de comer. Aliás outros netos mereceram o mesmo “tratamento” afectivo-nutricional-higiénico dos seus avós.

Como, agora, vejo como são vaidosos (pecado que está automaticamente perdoado, assim creio) e importantes os avós na colaboração da sua educação, tendo sempre presente que não são “pais duas vezes” mas simples “ajudantes” disponíveis dos seus filhos (genros e noras).

Quantas estórias deliciosas teria para contar dos outros sete netos, mas creio que não serão para aqui chamadas. Ficam no “arquivo” da família de onde nunca devem sair e para não se extraviarem.

Trouxe o Kiko aqui, neste artigo, pois entendo que um feito, um dos muitos que já conseguiu, não deveria ficar fechado na família pois este é de âmbito público e nacional.


Autor: Carlos Aguiar Gomes
DM

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10 março 2022