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Gverreiros versus conquistadores e…outros contos

 

Desde há uns anos a esta parte que determinadas leituras filosóficas me fazem alterar o modo de observar algumas situações, as quais, assim, vistas por novo prisma, mudam completamente. Talvez por isso, e encontrando parecenças com acontecimentos recentes no nosso futebol, sou levado a não valorizar muito determinados resultados e a (tentar) perceber o ponto de vista dos outros. Reparem nesta pequena história:

A um conquistador que todos aclamavam por uma vitória sobre os seus inimigos e que disso se vangloriava até mais não, um humilde mendigo perguntou um dia:

- Quem era mais forte? O teu inimigo, ou tu?

- Eu, é claro!

- Nesse caso porque te gabas da vitória?

Troquem conquistador por “GVERREIRO” e inimigo por adversário e verão a razão que assiste ao mendigo numa possível explicação do resultado, afinal normal, na quase madrugada de quarta feira, na Pedreira. Entende-se também o porquê de, nas hostes adversárias, terem valorizado a goleada estatística: mais ataques, mais posse de bola, mais remates e incontáveis cantos.

Confirmo todas essas vitórias do clube da cidade berço, mas já dizia Monge da Silva, a única estatística que importa no futebol é a dos golos marcados. No que a cantos respeita, a modalidade onde se conquistam pontos quando a bola sai pela linha de fundo, não é o futebol, é o rugby. Curiosamente, quando nos apuramos para a final da Taça de Portugal, no Dragão, o FCP também nos goleou, em cantos. Sofrer muitos cantos e ganhar os jogos, já parece estratégia pensada.

Por falar em FCP, uma conquista que deve ser enaltecida, é o seu apuramento para os quartos de final da Champions, em Turim. Filosoficamente o digo, Sérgio Conceição mostrou ter apreendido tudo o que Carvalhal explic(it)ou na semana anterior, no Dragão. Jogando apenas com um avançado, como fez connosco -- a pensar no 0-0 -- arriscava-se a estar (também) eliminado à meia hora de jogo. Apostando em dois, ganhou um penálti e depois, reduzido a dez, mostrou que estudar os vídeos do nosso jogo até de madrugada, deu ideias, até para jogar em inferioridade numérica. Parabéns, mas nunca esqueçam quem vos alertou, preparou e… ensinou.

Por fim, ao ler sobre centralização de direitos televisivos em 2027, lembrei um outro conto de um livro com o sugestivo título “Nova Tertúlia de mentirosos”.

Num país distante onde metade da população arriscava morrer à fome e a outra metade, abastada, continuava a levar vida próspera, pediram a um filósofo que todos consideravam hábil, que tentasse convencê-los a partilhar. Este, saiu de casa e só voltou seis dias depois, dizendo: missão cumprida.

Questionaram-no: conseguiste convencê-los a aceitar uma divisão justa?

- Consegui. Consegui metade.

- Como assim, metade?

- Convenci os pobres.

Substituam país distante, por Portugal; filósofo por político; pobres, por pequenos clubes; abastados por grandes clubes.

Já sabem quem aceitou e quem concordou com a partilha dos direitos televisivos?

Em 2027, se ainda cá estivermos, veremos se tenho, ou não, razão.


Autor: Carlos Mangas
DM

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12 março 2021