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Guy Fawkes e parlamentarismo

Hoje comemora-se oThanksgiving Day, um feriadocelebrado sobretudo nosEstados Unidos, observado como um dia de gratidão aDeus, pelos bons acontecimentos ocorridos durante oano, tempo para a família e dedicado à oração, remontando a tradição com origens patrióticas aos pilgrims do Mayflower, fundadores da Colónia de Plymouth no Massachusetts, que em 1621 se sentaram para uma refeição de três dias com os nativos Wampanoag e que se traduz como o dia de ação de graças.

Na Inglaterra não há a tradição da mesma cerimónia, mas numa aproximação comemora-se a 5 de novembro o Guy Fawkes Day, nome do responsável por guardar os barris depólvoraque seriam utilizados para explodir oParlamento na gorada Gunpowder Plot, na qual se pretendia assassinar o reiprotestanteJaime I e os parlamentaresdurante uma sessão em1605, aparentemente para repor o catolicismo como religião principal, severamente reprimido pela Rainha Isabel I, particularmente após o Papa a ter excomungado.

A também conhecida por Fireworks ou Bonfire Night evoluiu para ser atualmente uma festa com a família e os amigos. Mas assentar o feriado britânico numa data que exacerbou o sentimento anti-católico e chegou a constar na queima de efígies dos Papas, não abona como fundamento dum projeto de reconciliação. É certo que a ação de graças dos americanos iria mais tarde celebrar as vitórias militares sobre os nativos, o que levou à sua rejeição por estes, mas o seu começo assenta em fundações integradoras da comunidade entre povos. Apraz recordar que o católico convertido A. Silesius é lembrado na atualidade mais pelo seu génio místico e poético, celebrizado no seu “A rosa é sem porquê; floresce porque floresce” do Peregrino Cherubinic(1657) - que D. José Cordeiro cultiva com cândido sorriso na sua página pessoal, o nosso Arcebispo a quem devemos integral apoio, ele que saudou a diocese com um sincero “conto muito convosco; contai inteiramente comigo”, tal como no brasão de D Delfim Gomes se lê “In dando quod accipis”, é dando que se recebe, como transmitia S Francisco na “Oração da Paz - do que pelo livro "O Reino dos Céus … rejeita a ilusão prejudicial de que você pode ser salvo se não for católico”.

O ato de Fawkes traz à colação o editorial do Vatican News, que reflete o conflito entre a Rússia e a Ucrânia como o escândalo entre povos que compartilham o mesmo batismo. Diz Andrea Tornielli que “o facto da guerra que irrompeu no coração da Europa ser uma guerra entre cristãos torna a ferida ainda mais dolorosa para os seguidores de Jesus. Este não é um conflito a ser classificado no esquema conveniente de "choque de civilizações", uma teoria que se tornou famosa após os ataques islâmicos de 11 de setembro de 2001 para marcar as diferenças entre "nós" e "eles". Não, aqui os agressores leem o mesmo Evangelho dos agredidos”. O que significa lembrar que podemos agir como cristãos somente por graça, não por tradição.

Mas a conspiração da pólvora é hodierna no reafirmar do parlamentarismo. Em período de revisão constitucional, é essencial repensar a representatividade dos deputados. Colocar a pessoa no centro das políticas publicas, significa remodelar o sistema pelo qual a pessoa decide pelo seu representante no Parlamento, impondo-se a alteração do artigo 149º da Constituição no sentido da obrigatoriedade da existência de círculos nominais e nacional, meio para aproximar os eleitores dos eleitos. Tomando como ponto de partida o distrito de Braga, que elege 19 deputados, 10 seriam eleitos em círculos nominais. Sem rigor, apenas para perceção da essência, Braga elegeria 2 deputados (1 nas freguesias que compõe a secção de finanças Braga 1 e outro na Braga 2), Famalicão 1, em agregação Guimarães e Vizela 2, Barcelos e Esposende 2, Fafe, Celorico de Basto, Cabeceiras de Basto, Vieira do Minho e Póvoa de Lanhoso 2, Terras de Bouro, Amares e Vila Verde 1. Os restantes 9 entrariam no círculo nacional.

Os partidos, através de escolha livre das concelhias, indicariam como candidatos aos círculos nominais figuras locais conhecedoras das realidades do território em que se candidatam e capazes de mobilizar um conjunto mais alargado de votantes, que neles melhor se reviam do que num elenco de nomes maioritariamente desconhecidos, ainda que se reservasse para as comissões políticas nacionais a aprovação dos candidatos ao círculo nacional.


Autor: Carlos Vilas Boas
DM

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24 novembro 2022