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Governo manda parar ensino à distância

1 – Ouvi na televisão (ao Eng.º Marçal Grilo) e achei que tinha ouvido mal. Disseram-me e eu não acreditei. Li no jornal e continuei a não acreditar. Esfreguei os olhos reli e, de facto, lá estava, preto no branco: «Maioria dos colégios quer continuar com aulas à distância. Governo manda parar.». Afinal o defeito não estava nos meus ouvidos nem nos meus olhos! Era mesmo verdade! 2 – Perante a expansão explosiva da pandemia em curso, tarde e a más horas, o Governo decidiu fechar as escolas. E (finalmente!) fez muito bem. Enquanto pôde resistiu a fazê-lo – nunca se percebeu muito bem porquê. As razões eram as mais diversas, qual delas a menos convincente em face do momento trágico que estamos a viver: que nada substitui o ensino presencial; que as escolas não eram significativos focos de transmissão (ocultando a realidade que já o desmentia e esquecendo, mesmo sendo verdade, escolas abertas põem, em movimento, nas ruas, milhares de pessoas diariamente); que fechar escolas sacrifica uma geração de estudantes que já foi sacrificada, pelo mesmo motivo, no ano lectivo passado (como se a suspensão, por 15 ou 30 ou mesmo 40 dias, do nosso brilhante sistema de ensino vá, daqui por 20 anos, afectar o desempenho profissional dos actuais estudantes!); que escolas fechadas acentuam desigualdades sociais – o que é verdade. Mas isso pode, e deve, ser minimizado, como já foi no ano passado, com medidas compensatórias. Além de que «para grandes males, grandes remédios» - e o grande mal que nos aflige não permite a escolha dos remédios. Todos são bons: os pequenos e os grandes. 3 – Foram razões destas, e outras vizinhas, que o Primeiro-Ministro invocou, um dia, na Assembleia da República, para manter as escolas abertas contra ventos e marés. Para, vinte e quatro horas depois (sim, 24!), decidir encerrá-las. Repito: fez bem. Reconhecer o erro e corrigi-lo (mesmo a destempo) é sempre louvável. 4 – Só que, o mesmo diploma que encerra as escolas por 15 dias, diz que, durante esse período, não haverá ensino à distância – o que torna a decisão extensiva ao ensino particular, uma vez que suspende todas as «actividades lectivas». Isto é: o Estado, não está, de momento (porquê?) preparado para o ensino «on line». Por isso, proíbe-o, mesmo a quem para ele está preparado – o ensino particular. Que as escolas TODAS, públicas e privadas, devem encerrar – é uma evidência. Que a Covid não se transmite «on line» é uma evidência ainda maior. Porquê, então, proibir o ensino à distância por quem tenha capacidade técnica e pedagógica para o fazer? Isso já não prejudica a actual geração de estudantes? Ou, pelo menos, parte dela – a privilegiada que consegue escapar ao brilhantismo do famoso ensino público, que é como quem diz à incapacidade e incompetência do Ministério da Educação Nacional. 5 – Em conclusão, este Ministério continua igual a si mesmo: nivela por baixo. No rigor, na exigência, na disciplina, nos programas, na pedagogia, na didáctica, enfim na «cultura de escola». Agora também nos meios técnicos de comunicação à distância entre professores e alunos. Como não tem esse sistema montado, proíbe de o usar quem o tenha. Já que o ensino público não consegue ser tão bom como o privado, o Ministro determina que o privado seja tão mau como o público. É o que se chama igualdade. Igualdade na pobreza – de instrução, de conhecimento, de preparação para a vida, enfim, de cultura e… até mesmo de civilização. 6 – Nota final: nada substitui o ensino presencial. Mas este axioma não pode justificar nunca que, em tempos de pandemia, não se lhe encontre, rapidamente uma alternativa tão eficaz quanto possível. Nota: por decisão do autor, o presente texto não obedece ao impropriamente chamado acordo ortográfico.
Autor: M. Moura Pacheco
DM

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26 janeiro 2021